Calvão da Silva morre aos 66 anos
Ex-ministro invocou Deus durante cheias de Albufeira, em 2015.
Na política, foram os 27 dias que passou como ministro da Administração Interna no segundo governo de Passos Coelho que o tornaram mais mediático. Mas foi como advogado e académico que João Calvão da Silva, que ontem morreu aos 66 anos vítima de cancro, mais se notabilizou.
Transmontano e formado em Direito pela Universidade de Coimbra, foi professor universitário e deputado. Também desempenhou o cargo, de 1983 a 1985, de secretário de Estado Adjunto no governo de Bloco Central, com Mota Pinto.
Como ministro, em 2015, Calvão da Silva virou tema de conversa quando, após as cheias de 2015 em Albufeira, usou uma frase menos feliz: "Deus nem sempre é amigo, também acha que de vez em quando nos dá uns períodos de provação."
As cheias fizeram uma vítima mortal - um homem que foi arrastado pela água. "Ele, que era um homem de apelido Viana, entregou-se a Deus e Deus com certeza que lhe reserva um lugar", disse na altura. Ontem, o Presidente da República lamentou a perda de "um velho amigo" e de um "exemplo de vida".
O funeral realiza-se hoje às 15h00, em Coimbra.
Condolências de Rui Rio a ex-ministro de Passos
PERFIL
Calvão da Silva nasceu a 20 de fevereiro de 1952 em Montalegre, filho de agricultores. Tirou o curso de Direito e destacou-se na vida académica na Universidade de Coimbra, onde deu aulas. De 1983 a 1985 foi secretário de Estado adjunto de Mota Pinto.
Foi membro do Conselho Superior do Ministério Público e do Conselho Superior da Magistratura. Eleito deputado de 1995 a 1999. Ocupou também o lugar de presidente do Conselho de Jurisdição do Partido Social Democrata.
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