Candidato ao TC indicado pelo Chega afasta prisão perpétua da "cultura jurídica portuguesa"

Eleição dos novos juízes do Tribunal Constitucional está marcada para o dia 12 de junho de 2026.

02 de junho de 2026 às 14:32
Luís Brites Lameiras é o candidato indica por André Ventura para o Tribunal Constitucional. Foto: Direitos Reservados
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O candidato ao Tribunal Constitucional indicado pelo Chega manifestou-se esta terça-feira contra a pena de morte, afirmou que a prisão perpétua "não faz parte da cultura jurídica portuguesa" e considerou que a revisão constitucional não é prioritária.

O juiz desembargador Luís Brites Lameiras foi esta terça-feira ouvido, juntamente com os outros três candidatos a juízes do Tribunal Constitucional indicados numa lista conjunta por PSD, Chega e PS, na Comissão de Assuntos Constitucionais, como determina a Constituição e o Regimento da Assembleia da República.

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Nessa audição, em resposta às várias bancadas, Brites Lameiras disse ainda que preferia não se pronunciar sobre os recentes acórdãos do TC que chumbaram, por unanimidade, a criação de uma pena acessória de perda de nacionalidade para quem a tenha obtido e cometer certo tipo de crimes, mas acabou a manifestar a sua concordância, pelo menos com a primeira decisão.

"O Tribunal Constitucional fez a sua jurisprudência. Um candidato ao TC vir aqui dizer que está de acordo ou que discorda, não acho que fique bem", disse.

No entanto, o juiz desembargador acabou por acrescentar que subscreveria o primeiro acórdão que chumbou esta norma proposta por PSD, Chega e IL e teria de pensar melhor sobre o segundo, elaborado já depois destes partidos terem alterado algumas das normas e diminuído o número de crimes que resultariam nessa pena acessória.

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Já quanto à revisão constitucional (no dia em que PSD e Chega acordaram um processo para o próximo ano), disse que, do seu ponto de vista, não é prioritária, mas apontou duas questões que devem fazer parte de uma eventual mudança da lei fundamental.

"Por exemplo, relativamente à questão dos metadados ou à questão das problemáticas associadas aos tempos pandémicos", disse, referindo-se precisamente às duas questões no centro do acordo de PS e PSD no último processo (tentado mas não concluído) de revisão constitucional.

Sobre a prisão perpétua, que também é defendida pelo Chega, o candidato vincou que "não faz parte do atual quadro constitucional", mas não só.

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"Não faz parte da nossa cultura jurídica, nunca fez. Historicamente, somos um país muito afastado dessas realidades, a concessão de uma pena de prisão perpétua ou de uma pena de morte. Sobre a pena de morte diria que, até pela minha formação católica, nunca poderia concordar com a pena de morte", acrescentou.

O candidato deixou ainda elogios à forma como o TC se tem adaptado a uma Constituição que já tem 50 anos e manifestou-se contra a sua extinção e substituição por uma secção no Supremo Tribunal de Justiça.

"O Tribunal Constitucional tem gerido uma Constituição com 50 anos adaptando-a aos tempos modernos (...) de uma forma, a meu ver, interessante e muito adequada, adaptando o texto constitucional aos tempos próprios, fazendo caducar aquilo que caducou, embora esteja na lei e, digamos assim, abrindo horizontes para novas realidades", disse.

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Os candidatos foram questionados pelos partidos sobre temáticas concretas que passaram pelo TC nos últimos anos, como a Interrupção Voluntária da Gravidez ou a morte medicamente assistida, mas nenhum se quis comprometer com posições fechadas, mesmo que até já tenham expressado opiniões no espaço público sobre as mesmas.

A candidata indicada pelo PS, a juíza desembargadora Gabriela Cunha Rodrigues, salientou que o TC faz sempre um juízo de um "problema concreto, de um pedido e das normas que são colocadas num processo concreto".

Também a professora catedrática Paula Ribeiro Faria, indicada pelo PSD, disse não querer falar sobre temas que poderão voltar a ser analisados no Palácio Ratton, mas assegurou que as suas deliberações, caso seja eleita, terão sempre como base "uma ideia de ponderação e de articulação de pontos de vista jurídicos".

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O outro candidato indicado pelo PSD, Joaquim Cardoso da Costa, remeteu igualmente a decisão nestas matérias e noutras para os "processos concretos".

"A decisão do Tribunal Constitucional nunca é a decisão, o que interessa é a fundamentação", defendeu.

Cardoso da Costa, atualmente diretor-geral do Centro Jurídico do Estado, afirmou que irá abandonar este cargo se for eleito para o TC e prometeu declarar-se impedido se chegarem ao Palácio Ratton casos que envolvam processos em que tenha participado nestas funções.

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Questionados se defendem a introdução em Portugal da figura de recurso de amparo (que permitiria aos cidadãos recorrerem diretamente ao TC), os candidatos remeteram essa opção para o legislador, mas, de forma genérica, consideraram não ser necessário no sistema jurídico nacional.

Os quatro candidatos irão a votos no próximo dia 12, em lista conjunta e por sufrágio secreto, e necessitam de uma maioria de dois terços para serem aprovados e substituírem os quatro juízes em falta no TC.

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