Carneiro só falou no debate quando Montenegro já não tinha tempo para responder

Antes de José Luís Carneiro, pelo PS, interpelaram diretamente Luís Montenegro os deputados António Mendonça Mendes (sobre fiscalidade), Mariana Vieira da Silva (saúde) e Luís Testa (habitação).

17 de junho de 2026 às 16:08
José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, no debate quinzenal no Parlamento Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O PS usou esta quarta-feira uma estratégia invulgar no debate quinzenal no Parlamento, com o seu secretário-geral, José Luís Carneiro, a falar apenas nos quatro minutos finais, quando o primeiro-ministro já não dispunha de tempo para lhe responder.

Antes de José Luís Carneiro, pelo PS, interpelaram diretamente Luís Montenegro os deputados António Mendonça Mendes (sobre fiscalidade), Mariana Vieira da Silva (saúde) e Luís Testa (habitação).

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Num debate que foi travado poucas horas antes do jogo entre Portugal e a República Democrática do Congo, para o Campeonato do Mundo de Futebol, o líder do executivo aproveitou para fazer um comentário irónico sobre a estratégia usada pelos socialistas:  "Já vi que o PS está a fazer rodar a equipar -- e os golos na própria baliza sucedem-se", disse, motivando risos nas bancadas da direita parlamentar.

Nos quatro minutos que utilizou diante de Luís Montenegro, José Luís Carneiro advertiu que a economia portuguesa está a perder competitividade, dizendo mesmo que está a perder posições em 57% dos mercados externos. Questionou-o, também, sobre uma das condições colocadas pelo presidente do Chega, André Ventura, para viabilizar a reforma da legislação laboral: A descida da idade da reforma.

Ora, de acordo com os dados apresentados pelo secretário-geral do PS, se o Governo aceitar essa exigência do Chega, um ano e nove meses de descida da idade da reforma poderá "retirar ao fundo de pensões 4.5 mil milhões de euros". "Como é que vai financiar esses 4.5 mil milhões de euros? Vai cortar nas reformas? As empresas vão pagar mais Taxa Social Única à Segurança Social ou vai aumentar os impostos?", perguntou.

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O primeiro-ministro não respondeu porque já não dispunha de tempo, mas antes, nas suas respostas face a anteriores interpelações formuladas por deputados socialista, tinha considerando estar perante "um PS radicalizado, intransigente", revelando mesmo "arrogância".

Pela parte do PS, a primeira intervenção pertenceu ao antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais António Mendonça Mendes que acusou o Governo de ter aumentado as taxas unitárias do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), o que permitiu aos cofres do Estado "arrecadar mais 732 milhões de euros".

O primeiro-ministro rejeitou que o seu Governo tenha aumentado qualquer imposto e acusou o PS de usar em matéria fiscal a tática do "vira o disco e toca o mesmo".

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Luís Montenegro defendeu uma estratégia de prudência na atual conjuntura económica em matéria de controlo da inflação. E, neste ponto, contrapôs que em 2023, com o PS no Governo, a inflação atingiu "o quadruplo dos valores atuais". E esse executivo socialista "levou 16 meses a adotar as medidas que o PS exige agora num mês".

A seguir, entrou em debate a antiga ministra Mariana Vieira da Silva para defender que o plano de emergência para a saúde adotado pelo atual executivo PSD/CDS provocou resultados piores, apontando como exemplos "mais 80 mil utentes sem médico de família" ou "maiores listas de espera nas cirurgias".

Usou mesmo o exemplo de alguém que se propõe navegar de Lisboa até Aveiro, mas a viagem que faz é a andar para trás, da doca de Belém para a doca de Alcântara.

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Também aqui Luís Montenegro usou a ironia para responder, dizendo que os socialistas "meteram água" quando estiveram no Governo, sobretudo no setor da saúde, e "deixaram o Serviço Nacional de Saúde encharcado".

Perante os dados apresentados pela antiga ministra socialista, Luís Montenegro aceitou que há cerca de mais 80 mil utentes sem médico de família, mas ressalvou que entraram no sistema, desde 2024, mais 354 mil pessoas. "O objetivo não está cumprido, mas a resposta é melhor do que as que eram dadas antes de 2024", sustentou.

Na terceira intervenção pelo PS, Luís Testa, deputado socialista eleito por Portalegre, advogou a tese de que as políticas do Governo fizeram aumentar os custos da habitação, ao contrário do prometido.

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Perante estas críticas, o primeiro-ministro reagiu: "O PS continua a marcar golos na própria baliza, porque, pela primeira vez desde 2008, o licenciamento de casas em Portugal cresceu", defendeu.

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