CDS-PP diz respeitar decisão do presidente da Câmara de Cascais de atribuir pelouros ao Chega
Em causa está a decisão do presidente de Nuno Piteira Lopes (PSD) de atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega.
O CDS-PP de Cascais assegurou esta quarta-feira que não participou em nenhum acordo para a atribuição de pelouros aos eleitos do Chega, mas ressalvou que respeita a decisão do presidente da Câmara, Nuno Piteira Lopes (PSD).
"Embora o CDS/Cascais discorde da decisão tomada pelo presidente da Câmara relativamente à integração de membros de outro partido no executivo municipal, reconhece que a definição da composição do executivo e a atribuição de pelouros constituem prerrogativas exclusivas das competências do presidente da Câmara Municipal, no âmbito das suas funções institucionais", indica a estrutura partidária centrista em comunicado.
Em causa está a decisão do atual presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes (PSD), de atribuir pelouros aos dois vereadores do Chega, gerando várias críticas.
Na sequência desta decisão, os dois eleitos do PS, com quem o PSD tinha um acordo de governação, abdicaram dos pelouros, devolvendo-os à liderança do executivo.
Além do PS, a decisão de atribuir pelouros aos eleitos do Chega gerou também desconforto no CDS-PP, que integra, com o PSD, a coligação vencedora das últimas autárquicas no concelho.
Na reunião pública de Câmara de Cascais, realizada na segunda-feira, o vereador centrista, Pedro Morais Soares, afirmou que o CDS-PP "não fez nem nunca fará nenhum acordo com o Chega" e informou que o partido iria reunir nesse dia os seus órgãos para analisar a situação.
Na nota divulgada esta quarta-feira, o CDS-PP de Cascais afirma que "sempre foi um fator de estabilidade e um parceiro leal na governação do município, esperando, por isso, que as alterações agora anunciadas não comprometam a necessária estabilidade institucional para o cumprimento dos compromissos assumidos com a população".
"O CDS/Cascais reafirma que assumirá sempre uma posição responsável e coerente em defesa dos interesses do concelho", sublinha o partido.
Numa nota divulgada na segunda-feira à noite, o PSD de Cascais afirmou que a atribuição de pelouros aos vereadores do Chega resulta de um compromisso do presidente do executivo de trabalhar com todos os eleitos, sublinhando que essa escolha traduz respeito pelos eleitores.
"Nuno Piteira Lopes cumpriu a sua palavra, assumida antes, durante e após as eleições autárquicas. Em todos estes momentos, disse estar sempre disponível para trabalhar com todos os eleitos, independentemente do resultado das autárquicas", referiu a concelhia social-democrata.
Por sua vez, ouvido pela Lusa na terça-feira, o antigo presidente social-democrata da Câmara Municipal de Cascais António Capucho (2001-2011) classificou esta decisão como "bizarra" e "inqualificável", instando o PSD a dar explicações aos munícipes daquele concelho do distrito de Lisboa.
A coligação PSD/CDS-PP perdeu, após seis mandatos seguidos, a maioria absoluta em Cascais nas eleições autárquicas de outubro, com a candidatura Viva Cascais, liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir para a Câmara Municipal 30.258 votos (33,84%), com cinco eleitos.
O PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo João Ruivo e Alexandra Carvalho, e em terceiro lugar ficou a candidatura independente liderada por João Maria Jonet, que conseguiu 13.203 votos (14,77%) e elegeu ainda António Castro Henriques.
O Chega obteve 12.954 votos (14,49%) e também conseguiu dois eleitos, Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos.
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