CGD tenta “operação kamikaze” com Berardo
Ex-administrador admite ser difícil executar a garantia dada com obras de arte.
O jurista Eduardo Paz Ferreira, ex-presidente do conselho fiscal da Caixa Geral de Depósitos (CGD), revelou no Parlamento que o banco público está a tentar realizar o que diz ser uma "operação kamikaze" para executar os bens de Joe Berardo, empresário que figura entre os maiores devedores em incumprimento.
"Ouvi dizer agora que a atual administração se propõe desencadear uma operação ‘kamikaze’ para chegar ao património de Joe Berardo. Desejo-lhes muita sorte", disse o também jurista.
O responsável pela fiscalização das contas da Caixa admitiu na comissão de inquérito à gestão do banco público que é "extremamente difícil" chegar ao património do empresário madeirense.
Joe Berardo contratou um financiamento de cerca de 350 milhões de euros para comprar ações do BCP, dando como garantia esses mesmos títulos. A dada altura, por exigência do banco público, deu como garantia 40% sobre a sua coleção de arte.
Paz Ferreira, que é casado com a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, deixou também escapar um desabafo: "Estou muito longe de acreditar que [a Coleção Berardo] seja executável."
Segundo o jurista, há "uma enorme confusão jurídica entre a Fundação Berardo e o Estado".
Banco de Portugal recebeu toda a informação
O ex-presidente do conselho fiscal da CGD garantiu esta quarta-feira, no Parlamento, que todos os problemas detetados foram comunicados ao supervisor e ao Ministério das Finanças, nomeadamente os riscos dos financiamentos para a compra de ações do BCP.
"Foi tudo transmitido ao Banco de Portugal", frisou Eduardo Paz Ferreira, que adiantou: "Não houve uma resposta evidente da parte dos governos".
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