Chega defende que uso das Lajes deve obedecer às regras estabelecidas
André Ventura defendeu que "todos os que usam território português, seja de que forma for, têm que cumprir as regras".
O presidente do Chega defendeu esta sexta-feira que o uso a Base das Lajes pelos Estados Unidos da América ou qualquer outro país deve obedecer às regras estabelecidas e acusou a esquerda de falar no assunto para "arranjar artifícios".
"O Chega sempre disse desde o início, aliás, na primeira conversa que teve com o primeiro-ministro, e quando se articulou uma autorização ao uso da Base das Lajes, que era indispensável que quem a usasse, fosse os Estados Unidos ou outro país qualquer, tinha que cumprir a lei e tinha que cumprir as regras que lá são estabelecidas", afirmou.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura defendeu que "todos os que usam território português, seja de que forma for, têm que cumprir as regras".
"Ser aliado não é ter bar aberto para a utilização. E, portanto, os americanos, como os outros, não podem simplesmente usar e abusar de território português como querem e quando querem, tem que haver regras", sustentou.
Ventura indicou que, "para haver esse escrutínio, se tiver que ser feito no parlamento, será".
Na quinta-feira, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a Base das Lajes no conflito com o Irão. Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse mesmo que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.
Em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros referiu que "o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas".
Esta sexta-feira, vários partidos falaram sobre o assunto e pediram esclarecimentos, com o PS a querer chamar o ministro Paulo Rangel ao parlamento e o PCP a sugerir a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre o envolvimento português no ataque norte-americano e israelita ao Irão com foco no uso das Base das Lajes pelos Estados Unidos.
Nesta declaração aos jornalistas, o líder do Chega afirmou também que "a esquerda, quando percebe que os assuntos que traz para o país não são aqueles que as pessoas verdadeiramente se preocupam, procura arranjar artifícios".
"Vamos evitar estar a falar de coisas esotéricas, que a maior parte das pessoas só vê como um artifício para que a esquerda continue a falar dos seus assuntos entre si. Vamos lutar para melhorar a vida das pessoas e não para andar a criar artifícios à vida das pessoas", defendeu.
André Ventura referiu também que "o PS já esteve no governo com a Base das Lajes a ser utilizada para atos, quer dos Estados Unidos, quer das potências ocidentais, e nessa altura o PS não estava muito preocupado com isso".
"Quem ouve hoje aqui o deputado Eurico Brilhante Dias a falar disso, é a habitual falta de vergonha que o Partido Socialista tem, que é a única que se justifica para ter uma ação deste tipo", criticou, considerando que os socialistas "dizem uma coisa de um lado, fazem outra do outro, conforme as circunstâncias lhes convêm".
O líder do Chega sugeriu que o escrutínio deve passar por chamar "todos os socialistas que mandaram e que tiveram decisão sobre isso nos últimos anos".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt