Chega diz que há minorias privilegiadas pela lei e partidos unem-se para condenar racismo
Discussão foi aberta pelo deputado e presidente do Chega, André Ventura, que começou por abordar um alegado caso de racismo num jogo de futebol entre o SL Benfica e o Real Madrid.
O Chega insistiu esta quinta-feira em associar imigração com criminalidade e alegou haver minorias privilegiadas perante a lei, enquanto os restantes partidos uniram-se para condenar o racismo, apesar de IL e CDS-PP recusarem que Portugal seja um país racista.
Estas posições foram assumidas na sessão plenária desta tarde, no parlamento, cujo tema, por decisão do Chega, foi "As acusações de racismo na sociedade, no desporto e no sistema político: é preciso virar a página". O debate, marcado de forma potestativa pelo Chega, não teve qualquer iniciativa em discussão, um facto criticado por vários partidos.
A discussão foi aberta pelo deputado e presidente do Chega, André Ventura, que começou por abordar um alegado caso de racismo num jogo de futebol entre o SL Benfica e o Real Madrid a envolver os jogadores Prestianni e Vinicius Júnior para lamentar o que disse terem sido "acusações absolutamente inconcebíveis" contra o jogador argentino.
"Não podemos ter uma sociedade em que, quando alguém chama macaco a outro, é um caso absoluto e incontornável de racismo. Mas se alguém chama branco, estúpido, a outro, é um caso de diversidade cultural", considerou.
O líder do Chega defendeu ainda que não pode existir um "racismo bom e o racismo mau", opondo-se a cotas para minorias e argumentando que há uma maioria que "sente que está a pagar para um conjunto de minorias que estão sempre protegidas e privilegiadas face à lei".
Do PS, a deputada Isabel Moreira disse que os diferentes governos, "errando e acertando", avançaram com políticas concretas contra o racismo, porque "é a causa dos mais hediondos e imperdoáveis crimes contra a humidade, da humanidade contra si mesma".
"Para os democratas, o racismo não é uma teoria da conspiração, é um fenómeno a travar", considerou, acrescentando, citando a antiga ministra da Justiça Francisca Van Dunem, que este é o crime perfeito porque "quem o comete acha sempre que a culpa é da vítima".
Na réplica a Isabel Moreira, a deputada do Chega Cristina Rodrigues associou pessoas estrangeiras com criminalidade, alegando haver dados sobre outros países que o comprovam: "A senhora deputada acaba por fazer o quê? Por causa deste manto do racismo, defende uma imigração descontrolada para o Ocidente, para Portugal e para a Europa", atirou.
À direita, o deputado do PSD Nuno Jorge Gonçalves defendeu que a permanente lógica de confronto fragiliza o debate e a democracia, que só serve "quem vive politicamente da radicalização", e, usando uma frase do escritor António Lobo Antunes, argumentou que "um povo que lê jamais será um povo racista", lembrando que "a cultura é uma coisa apavorante para os ditadores".
Também do lado da condenação do racismo estiveram a IL e o CDS-PP, porém com posturas diferentes dos restantes partidos, enfatizando a sua recusa da ideia de que Portugal seja um país racista.
O liberal Mário Amorim Lopes recusou que se "insulte um povo inteiro para alimentar uma narrativa ideológica" e o centrista João Almeida, que foi aplaudido pelo Chega por mais do que uma vez, alegou haver diferenças de tratamento mediático quando um crime é cometido por um caucasiano ou por alguém de uma minoria étnica.
À esquerda, Fabian Figueiredo, do BE, citou a tese de doutoramento de André Ventura, em que o líder do Chega criticava a discriminação de minorias e Rui Tavares, do Livre, disse haver "qualquer coisa estranha" no facto de os deputados de extrema-direita procurarem provar que não são racistas.
Paula Santos, líder parlamentar do PCP, acusou o Chega de trazer este tema a debate para "desviar o foco dos verdadeiros responsáveis pelo aprofundamento das desigualdades".
A deputada única do PAN Inês de Sousa Real criticou alegados comportamentos racistas do partido de Ventura no passado e Filipe Sousa, do JPP, pediu a "aplicação rigorosa da lei".
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