Já esta quarta-feira, no debate quinzenal aconteceu um incidente protagonizado pelo líder do Chega, que acusou a presidente do parlamento em exercício de tratamento desigual.
O Grupo Parlamentar do Chega abandonou hoje o hemiciclo antes do final do debate em plenário, agendado pelo próprio partido, depois de uma nova altercação com a vice-presidente e presidente do parlamento em exercício, Teresa Morais.
No debate pedido pelo Chega, com o tema "As acusações de racismo na sociedade, no desporto e no sistema político: é preciso virar a página", André Ventura encerrou os trabalhos com um discurso em que acusou a deputada do PS Isabel Moreira e as líderes parlamentares do Livre e PCP de esconderem e ignorarem propositadamente quando "compatriotas suas são violadas, agredidas, mutiladas, perseguidas e assediadas só por uma razão".
"Se fossem portugueses estavam aqui aos gritos. Como são estrangeiros, protegem-nos porque preferem os criminosos às mulheres que são vítimas de crimes", acusou.
Antes de dar por encerrados os trabalhos desta tarde, Teresa Morais, vice-presidente do parlamento que presidia a sessão, quis transmitir uma mensagem sobre o teor da intervenção de Ventura: "É a minha convicção que nenhuma mulher nesta casa, seja ela sentada numa bancada à esquerda ou à direita, quer esconder violadores ou ignorar violações de mulheres".
Perante esta consideração, Ventura pediu a palavra para afirmar que "é às bancadas das oposição que cabe fazer o discurso político" e não à mesa e acusou a social-democrata Teresa Morais de ser "uma vergonha para as funções que exerce no parlamento".
"Da nossa parte, não nos representa mais na Assembleia da República, nem na mesa da Assembleia da República", atirou o líder do Chega.
Teresa Morais respondeu que o deputado do Chega "não tem nenhum facto para apontar" e que as suas intervenções têm como objetivo "arrancar palmas à sua bancada".
Filipe Melo, deputado do Chega e vice-presidente do parlamento, saiu da mesa da Assembleia da República para ir para a bancada do Chega no início desta troca de argumentos, uma ação que foi reprovada por Teresa Morais enquanto o parlamentar protestava.
"Senhor deputado Filipe Melo, faça o favor de ficar calado, porque já toda a gente percebeu que o senhor deputado está na mesa a fazer trejeitos infelizes e depois sai da mesa quando lhe apetece para vaiar a mesa", atirou a deputada social-democrata.
Perante esta consideração, os protestos da bancada do Chega subiram de tom e todos os deputados presentes abandonaram o hemiciclo. Assim, os trabalhos encerraram sem o partido liderado por André Ventura a ocupar os seus lugares no hemiciclo.
A intervenção de Teresa Morais que gerou a saída da bancada presidida por Pedro Pinto foi aplaudida por toda a esquerda e pela bancada do PSD. Da bancada do Chega ouviram-se pateadas.
A presidente da mesa fechou os trabalhos insistindo que "não pode aceitar que se diga nesta casa que há mulheres de algumas bancadas que escondem criminosos e ignoram violações de outras mulheres".
Já esta quarta-feira, o debate quinzenal ficou marcado por um incidente protagonizado pelo líder do Chega, que acusou a presidente do parlamento em exercício, Teresa Morais, de tratamento desigual, crítica que a social-democrata rejeitou, apoiada por PSD e PS.
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