Chega na Assembleia Municipal de Lisboa distancia-se do vereador Bruno Mascarenhas
"Não nos revemos minimamente no que se passa na vereação do senhor doutor Mascarenhas", afirmou o líder da bancada do Chega.
O líder da bancada do Chega na Assembleia Municipal de Lisboa distanciou-se esta terça-feira do vereador do partido na Câmara, Bruno Mascarenhas, referindo que não se revê nem foi consultado previamente sobre a indicação de nomes para empresas municipais.
"A Assembleia Municipal não tem nada a ver com a vereação. Concorremos com listas separadas, com boletins de voto separados. Não nos revemos minimamente no que se passa na vereação do senhor doutor Mascarenhas", afirmou o líder da bancada do Chega, Luís Pereira Nunes.
O autarca do Chega falava em defesa da honra após uma intervenção do deputado João Monteiro, do Livre, que apresentou uma recomendação "pela competência e transparência nas nomeações para cargos de gestão da Câmara Municipal de Lisboa".
João Monteiro realçou o caso da nomeação de Mafalda Livermore, militante do partido Chega nomeada para vogal nos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa (CML), cargo para o qual foi recentemente exonerada após se saber que está a ser investigada pelo Ministério Público, inclusive "por usurpação de funções, por suspeita de dar aconselhamento jurídico sem ser advogada".
O deputado do Livre referiu que Mafalda Livermore tem ligações pessoais ao vereador do Chega e é também "acusada de ter construído um império de habitação clandestina" para imigrantes, que vivem em condições indignas e sem contrato de arrendamento, segundo uma reportagem da RTP.
"Era tão óbvio, tão óbvio, que alguém indicado pelo Chega viria a dar problemas", considerou João Monteiro, defendendo que é necessário "proteger as instituições democráticas daqueles que sem escrúpulos se procuram infiltrar sob a pele de cordeiros, mas que não passam, efetivamente, de lobos predadores do bem que todos nós construímos, que é a democracia".
Por isso, acrescentou, "é preciso restringir o número de nomeações quando estas não são sujeitas à avaliação em condições de transparência".
Em defesa da honra, Luís Pereira Nunes disse que "o grupo municipal do Chega, deputados e assessores não se reveem nas alegações das ações do vereador eleito pelo partido, nem foi consultado previamente sobre a indicação dos nomes para ocupar qualquer lugar nas administrações das empresas municipais".
"Desde o início que nos opusemos à indicação desses elementos", acrescentou.
O presidente da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), André Moz Caldas (PS), assinalou que o deputado do Chega "leu a sua defesa da honra, o que significa que a sua honra já vinha ofendida mesmo antes do senhor deputado João Monteiro ter usado da palavra", ao que Luís Pereira Nunes reconheceu que tinha a declaração escrita "porque a esquerda é muito previsível".
Interpelando a Mesa da AML, Américo Vitorino, do PSD, criticou que se façam comentários sobre a forma como qualquer força política expressa a sua defesa da honra, tendo André Moz Caldas respondido que o recurso à figura regimental de defesa da honra "dependia de algo que tivesse ocorrido no plenário".
Da bancada do PS, Miguel Coelho considerou que "alguns elementos da bancada do PSD são uma espécie de bombeiros de serviço para ajudar o Chega".
Já Pedro Bugarin, da IL, classificou com "muito surpreendente" a intervenção do Chega, referindo que "se calhar existe um partido A e um partido B, e o partido A tem de fazer escrutínio sobre o partido B", registando a ausência de Bruno Mascarenhas, que não tem comparecido na AML.
Na semana passada, a deputada no parlamento e membro da Direção Nacional do Chega Rita Matias defendeu a demissão do vereador do partido na CML, Bruno Mascarenhas, que é também namorado de Mafalda Livermore.
"Bruno Mascarenhas, se quiser fazer um favor ao partido Chega, demita-se de vereador, saia e passe o lugar. Espero que não fique como independente, passe o lugar para ficar alguém que realmente represente o partido Chega e os seus interesses", afirmou, considerando que este "é um caso que envergonha o partido" e trata-se de uma conduta "absolutamente condenável".
Posteriormente, o líder do Chega, André Ventura, indicou que a jurisdição do partido está a desenvolver "procedimentos internos" na sequência da reportagem da RTP, cujas conclusões serão tornadas públicas mais tarde, remetendo eventuais decisões para essa altura.
"Quando houver conclusões, cá estarei para as assumir e para levar até às últimas consequências", disse, considerando que o desafio lançado por Rita Matias "é um exercício de opinião política num partido que é político, que é livre e que é democrático".
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