Cidadãos Por Lisboa consideram desproporcionada operação policial no Martim Moniz
Eleitos municipais falam em "sinais de populismo puro, que só alimenta ódios".
Os Cidadãos Por Lisboa (CPL), independentes eleitos pelo PS à autarquia da capital, consideraram esta sexta-feira que a operação realizada na quinta-feira na zona do Martim Moniz teve um "aparato policial desproporcionado" e "resultados, no mínimo, risíveis". Numa nota enviada à comunicação social, os CPL repudiam a ação da Polícia de Segurança Pública (PSP) na Rua do Benformoso, que resultou na detenção de duas pessoas e na apreensão de quase 4 mil euros em dinheiro, bastões, documentos, uma arma branca, um telemóvel e uma centena de artigos contrafeitos.
Na zona moram e trabalham muitos imigrantes, sobretudo oriundos do subcontinente asiático.
Os eleitos municipais criticam o primeiro-ministro, o social-democrata Luís Montenegro, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), por terem "voz emprestada da extrema-direita" e copiarem "tiques de outros tempos", apostando "no discurso de fratura e criminalização da pobreza".
Os CPL consideram que "se exerce um abuso inédito" sobre a população imigrante em Portugal, "que vem apenas dar visibilidade a reações de xenofobia e de intolerância que estão a ser instrumentalizadas".
E perguntam: "Agora foi no Martim Moniz, amanhã será onde?"
São "sinais de populismo puro, que só alimenta ódios", acusam, apontando o dedo ao autarca da capital por ainda não ter comentado o que se passou e questionando-o sobre o adiamento do "novo programa municipal de integração de pessoas migrantes".
A atuação policial de quinta-feira na Rua do Benformoso - que passou por encostar à parede dezenas de pessoas, de mãos no ar, para serem revistadas -- foi denunciada por imagens partilhadas nas redes sociais, que geraram várias críticas e acusações de abuso de poder.
A porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Ana Raquel Ricardo, explicou que uma "operação especial de prevenção criminal dá legitimidade para fazer outro tipo de diligências, nomeadamente a revista de cidadãos que se encontrem no local e revista de viaturas" que por ali circulem.
A operação foi acompanhada por uma procuradora da República e foram cumpridos seis mandados de busca não domiciliária.
Os partidos da esquerda parlamentar já exigiram esclarecimentos ao Governo e pediram a audição da ministra da Administração Interna e do diretor nacional da PSP.
O Livre vai pedir também uma audiência ao Presidente da República, que já disse que quer ver as imagens da operação policial.
A intervenção também já foi criticada por Miguel Coelho (PS), presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, onde se situa o Martim Moniz, que pediu a demissão da ministra da Administração Interna.
Organizações de defesa dos direitos humanos e antirracistas acusaram o Governo de aplicar a "agenda de ódio da extrema-direita" ao "adotar políticas com o propósito específico de perseguir e afastar imigrantes".
O primeiro-ministro considerou a operação de quinta-feira "muito importante" para criar "visibilidade e proximidade" no policiamento e para aumentar a sensação de tranquilidade dos cidadãos portugueses.
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