Cidadãos Por Lisboa consideram desproporcionada operação policial no Martim Moniz

Eleitos municipais falam em "sinais de populismo puro, que só alimenta ódios".

20 de dezembro de 2024 às 18:10
PSP Foto: Nuno André Ferreira
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Os Cidadãos Por Lisboa (CPL), independentes eleitos pelo PS à autarquia da capital, consideraram esta sexta-feira que a operação realizada na quinta-feira na zona do Martim Moniz teve um "aparato policial desproporcionado" e "resultados, no mínimo, risíveis". Numa nota enviada à comunicação social, os CPL repudiam a ação da Polícia de Segurança Pública (PSP) na Rua do Benformoso, que resultou na detenção de duas pessoas e na apreensão de quase 4 mil euros em dinheiro, bastões, documentos, uma arma branca, um telemóvel e uma centena de artigos contrafeitos.

Na zona moram e trabalham muitos imigrantes, sobretudo oriundos do subcontinente asiático.

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Os eleitos municipais criticam o primeiro-ministro, o social-democrata Luís Montenegro, e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), por terem "voz emprestada da extrema-direita" e copiarem "tiques de outros tempos", apostando "no discurso de fratura e criminalização da pobreza".

Os CPL consideram que "se exerce um abuso inédito" sobre a população imigrante em Portugal, "que vem apenas dar visibilidade a reações de xenofobia e de intolerância que estão a ser instrumentalizadas".

E perguntam: "Agora foi no Martim Moniz, amanhã será onde?"

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São "sinais de populismo puro, que só alimenta ódios", acusam, apontando o dedo ao autarca da capital por ainda não ter comentado o que se passou e questionando-o sobre o adiamento do "novo programa municipal de integração de pessoas migrantes".

A atuação policial de quinta-feira na Rua do Benformoso - que passou por encostar à parede dezenas de pessoas, de mãos no ar, para serem revistadas -- foi denunciada por imagens partilhadas nas redes sociais, que geraram várias críticas e acusações de abuso de poder.

A porta-voz do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, Ana Raquel Ricardo, explicou que uma "operação especial de prevenção criminal dá legitimidade para fazer outro tipo de diligências, nomeadamente a revista de cidadãos que se encontrem no local e revista de viaturas" que por ali circulem.

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A operação foi acompanhada por uma procuradora da República e foram cumpridos seis mandados de busca não domiciliária.

Os partidos da esquerda parlamentar já exigiram esclarecimentos ao Governo e pediram a audição da ministra da Administração Interna e do diretor nacional da PSP.

O Livre vai pedir também uma audiência ao Presidente da República, que já disse que quer ver as imagens da operação policial.

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A intervenção também já foi criticada por Miguel Coelho (PS), presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, onde se situa o Martim Moniz, que pediu a demissão da ministra da Administração Interna.

Organizações de defesa dos direitos humanos e antirracistas acusaram o Governo de aplicar a "agenda de ódio da extrema-direita" ao "adotar políticas com o propósito específico de perseguir e afastar imigrantes".

O primeiro-ministro considerou a operação de quinta-feira "muito importante" para criar "visibilidade e proximidade" no policiamento e para aumentar a sensação de tranquilidade dos cidadãos portugueses.

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