Cidadãos por Lisboa querem esclarecimentos de Moedas sobre suspensão de mandato de vereador do CDS

Diogo Moura foi acusado pelo MP de crimes de fraude em duas eleições internas dos democratas-cristãos.

15 de maio de 2024 às 00:13
Carlos Moedas, lisboa, câmara Foto: Tiago Petinga/Lusa
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Os deputados municipais do grupo Cidadãos por Lisboa (CPL) solicitaram esta terça-feira que o presidente da câmara seja chamado à 6.ª comissão da Assembleia Municipal, para esclarecer sobre a suspensão de mandato do vereador Diogo Moura (CDS-PP).

A deputada municipal não inscrita Daniela Serralha, dos CPL, membro permanente da Comissão de Direitos Humanos e Sociais, Cidadania e Transparência e Combate à Corrupção, anunciou o pedido no plenário da Assembleia Municipal de Lisboa, durante a discussão das contas do executivo de 2023.

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"Temos um vereador com o mandato suspenso", afirmou Daniela Serralha, acrescentando ter pedido para que o presidente da câmara Carlos Moedas e a vereadora da Transparência e Prevenção da Corrupção, Joana Almeida, sejam ouvidos na 6.ª comissão permanente, "porque a transparência com a cidade deve ser igual às contas, não basta parecer".

Numa nota, os CPL explicaram que a audição visa "perceber não só esta suspensão de mandato, como o que vai acontecer aos compromissos em curso", quem "assumir os pelouros em causa, por quanto tempo e qual o seu compromisso com a cidade".

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Numa declaração escrita enviada à agência Lusa no domingo, o presidente da Câmara de Lisboa anunciou que o vereador da Cultura, Diogo Moura, tinha suspendido o mandato a seu pedido, na sequência da acusação do Ministério Público (MP) sobre fraude em eleições internas do CDS-PP.

O autarca social-democrata explicou que "apesar das alegações que lhe são imputadas [a Diogo Moura] não se reportarem ao mandando enquanto vereador", considerou "não haver condições para o vereador continuar a desenvolver o seu trabalho em prol dos lisboetas".

Diogo Moura foi acusado pelo MP de crimes de fraude em duas eleições internas dos democratas-cristãos.

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O deputado municipal Carlos Reis, do PSD, considerou que Diogo Moura fez "um trabalho notável nas áreas da Cultura, Economia e Inovação", destacando o caráter do autarca e o seu trabalho primeiro como deputado municipal e depois como vereador.

O social-democrata manifestou-se "contra todos os julgamentos de tabacaria", salientado que Diogo Moura "não foi julgado" e, sem invocar nomes, acusou PS e Bloco de Esquerda (BE) de "hipocrisia" face a outros casos.

O socialista Manuel Lage respondeu que o seu partido acredita "no princípio da presunção de inocência" e que Diogo Moura "tem sido um exemplo" no atual executivo, mas disse perceber o problema da sua continuação tendo em conta a responsabilidade pela condução do processo eleitoral na cidade de Lisboa.

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Para o vice-presidente da autarquia, Filipe Anacoreta Correia (CDS-PP), o "presidente da câmara cumpriu a sua palavra" ao pedir a Diogo Moura para suspender o mandato perante as suspeitas, e elogiou o empenho e o trabalho do ex-vereador.

O deputado municipal Bruno Mascarenhas, do Chega, apontou o dedo ao PS e BE, que nunca viu "referirem-se ao caso 'Tutti Fruti'", por suspeitas da prática de crimes económico-financeiros da contratação de pessoal e adjudicação direta de serviços a empresas ligadas ou controladas por dirigentes políticos, do PSD, mas também do PS.

Na sequência da acusação do MP tanto o BE como PS já tinham defendido na sexta-feira que Diogo Moura não tinha condições para continuar e que o presidente Carlos Moedas deveria "ser coerente" com declarações que já tinha proferido sobre autarcas suspeitos de crimes.

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O Ministério Público acusou Diogo Moura, também vice-presidente do CDS-PP, de "dois crimes de fraude em eleições, agravados" por ter alegadamente procurado manipular os votos de militantes em dois atos eleitorais (2019 e 2021), segundo noticiou na quinta-feira a CNN Portugal.

De acordo com o canal de televisão, Diogo Moura "sabia que uma secretária da distrital de Lisboa estava na mesa de voto e enviou-lhe várias mensagens a pedir que introduzisse nas urnas votos de militantes que não se apresentassem na mesa de voto".

No entanto, "a secretária da distrital nunca acedeu aos pedidos" e o caso acabou denunciado e investigado pela PSP, tendo o autarca centrista sido agora acusado formalmente pela 4.ª secção do DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa.

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Numa nota escrita enviada à Lusa no domingo, Diogo Moura afirmou que "a natureza do processo" em que é acusado de fraude em eleições internas daquele partido "é a de um ataque pessoal sem fundamento".

O autarca centrista ressalvou que este processo "nada tem a ver" com as suas funções de vereador, nem com decisões camarárias".

Diogo Moura alega estar "absolutamente inocente" e garante que irá prová-lo.

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O executivo da Câmara de Lisboa, que é composto por 17 membros, integra sete eleitos da coligação Novos Tempos (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) -- os únicos com pelouros atribuídos e que governam sem maioria absoluta --, três do PS, dois do PCP, três do Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), um do Livre e um do BE.

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