Concelhia do PCP responsabiliza PS e PSD por falta de investimento na rede de água em Almada

Em comunicado, a estrutura concelhia comunista salientou que a população de Almada tem sido confrontada, nas últimas semanas, com "cortes de água que têm afetado muito as suas vidas".

10 de julho de 2026 às 20:41
Os habitantes de Almada protestaram quarta-feira contra a falta de água. Exigiram respostas e a demissão de Inês de Medeiros Foto: José Sena Goulão/Lusa
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A comissão concelhia de Almada do PCP considerou esta sexta-feira que PS e PSD são "responsáveis pela falta de água no concelho" devido à falta de investimento, nos últimos anos, na captação e no reforço da rede.

Em comunicado, a estrutura concelhia comunista salientou que a população de Almada tem sido confrontada, nas últimas semanas, com "cortes de água que têm afetado muito as suas vidas".

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"Problemas que nos custam ainda mais a aceitar tendo em conta o percurso de décadas no concelho de Almada com a CDU, em que não apenas as populações tinham a garantia de água nas torneiras, como esse serviço público era um exemplo de boa gestão", afirmou o PCP.

Um exemplo que, acrescentou, obteve "certificação em sete sistemas de gestão da qualidade, atribuída designadamente pela ERSAR [Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos]".

Segundo os comunistas, a "situação já era conhecida nos últimos anos", num município gerido pelo PS desde 2017, que integrou com o PSD o conselho de administração dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada entre 2018 e 2024.

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O valor médio do investimento anual nos últimos oito anos da gestão CDU, entre 2010 e 2017 foi "de 6,4 milhões de euros", que compara com "4 milhões de euros" anuais do valor médio do investimento dos oito anos de gestão PS/PSD nos SMAS, "ou seja, 19,2 milhões de euros a menos do que nos dois mandatos anteriores da CDU", referem.

Além disso, salientou o PCP/Almada, sobre os investimentos em anos anteriores, "a ERSAR afirmou que, nos últimos cinco anos, apenas foi reparado 0,3% da rede total com mais de 10 anos".

Em comparação, desde que a CDU assumiu a presidência dos SMAS, foi concretizado "um novo furo de captação de água" que está já a funcionar e outro que "entrará em funcionamento, previsivelmente, até final do mês de julho" e foram lançados procedimentos para mais três furos, um dos quais está "à espera de autorização da APA [Agência Portuguesa do Ambiente]".

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Em relação às medidas a tomar, o PCP adianta ser "necessário reforçar a capacidade de abastecimento de água através da abertura de novos furos de captação", em estudo, "da construção de novos reservatórios -- incluindo um na Caparica, cujo projeto está a ser desenvolvido pelos SMAS -- e da reparação, modernização e reforço da rede de distribuição e das adutoras".

A Câmara de Almada, no distrito de Setúbal, "adquiriu, há vários anos um reservatório na Aroeira, que resolveria uma parte do problema nessa zona", mas "precisa de obras de manutenção e está parado por incúria e irresponsabilidade" dos partidos que geriram a autarquia e os SMAS, lê-se na nota.

"PS e PSD deixaram degradar o serviço de distribuição de água no concelho de Almada com o objetivo de criar na população o ambiente favorável à aceitação do caminho da sua privatização, que, a prazo, para satisfazer o lucro, faria a população pagar mais por um serviço ainda pior", acusaram os comunistas.

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Por isso, desde outubro de 2021 que o PCP alertou para o "aumento da fatura da água que, em alguns casos chegou a 50%" e a CDU, em junho de 2023, denunciou que o investimento realizado nos seis anos de mandato PS era "insuficiente, particularmente ao nível da renovação das redes de água e do saneamento".

A Câmara de Almada decretou na quarta-feira situação de alerta no município, na sequência de sucessivas falhas de abastecimento de água no concelho, e os SMAS ativaram um plano de contingência para recuperar os níveis dos reservatórios.

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