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Associação de Hoteleria ainda sem dados dos prejuízos devido aos cortes de abastecimento de água em Almada

AHP precisou que interrupções ou cortes no fornecimento de água "representam um risco operacional sério para qualquer unidade hoteleira", com implicações que vão desde a limpeza e lavandaria até ao conforto dos hóspedes.

10 de julho de 2026 às 19:03

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) disse esta sexta-feira que ainda não dados que permitam quantificar prejuízos que possam estar a ser causados no turismo em Almada devido aos cortes de abastecimento de água naquele concelho.

"Sobre os eventuais impactos para o setor hoteleiro decorrentes da situação dos cortes de abastecimento de água no concelho de Almada, a AHP está a acompanhar a evolução da situação, mas não dispõe, neste momento, de dados consolidados que permitam quantificar prejuízos concretos junto dos associados na região", revelou.

Numa resposta escrita à Lusa, a AHP precisou que interrupções ou cortes no fornecimento de água "representam um risco operacional sério para qualquer unidade hoteleira", com implicações que vão desde a limpeza e lavandaria até ao conforto dos hóspedes.

Nesse sentido, a associação acrescentou que irá entrar em contacto com os associados de Almada para perceber a real dimensão da situação no terreno.

O organismo salientou também que as piscinas, "ao contrário do que por vezes se pensa, não são o ponto mais crítico neste tipo de crise", lembrando que funcionam "em circuito fechado de recirculação e filtração, pelo que o consumo diário de água nova serve sobretudo para repor perdas por evaporação, não para renovar o volume total".

"O maior risco operacional está nas casas de banho, lavandaria e cozinhas", afirmou.

Questionada sobre situações semelhantes no passado, a AHP lembrou que o precedente mais relevante foi a seca prolongada no Algarve que tem sido gerida "ao longo de vários anos através de um mecanismo formal do Governo, a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que chegou a impor restrições de consumo de água ao setor turístico de até 15%".

Essas medidas, referiu, foram entretanto aliviadas com a recuperação das reservas hídricas.

No entanto, a AHP salientou a importância em distinguir a situação que foi vivida no Algarve e esta agora de Almada.

"A seca algarvia é uma crise estrutural de origem, que obriga a uma gestão coordenada e prolongada entre Governo, autarquias e setores económicos. A situação em Almada resulta, segundo as informações públicas disponíveis, de constrangimentos na rede de distribuição municipal, associados a défice de investimento, um aumento súbito de consumo e perda de água no sistema, problema que reflete, aliás, um padrão nacional mais amplo", salientou o organismo.

Como tal a associação mantém a mesma linha de atuação já expressa em situações anteriores de escassez hídrica: "recomenda aos seus associados a ativação de planos de contingência próprios, reservas de água autónomas, contacto direto com as entidades gestoras locais e comunicação transparente com os hóspedes, evitando medidas unilaterais e privilegiando soluções articuladas entre os diferentes setores afetados".

Nos últimos dias, têm sido relatadas sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica, tendo sido ativado, na segunda-feira, o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise.

Entretanto, a presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), decretou na quarta-feira situação de alerta no município e implementou uma série de medidas para preservar o recurso para "abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população", entre as quais o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22:00 às 06:00, em dias diferenciados.

Segundo a autarquia, a situação que o município enfrenta é excecional e resulta de um aumento muito significativo do consumo de água, que exerceu uma pressão sem precedentes sobre o sistema de abastecimento.

Contudo, a Câmara de Almada e os SMAS garantem o abastecimento aos equipamentos e serviços essenciais, nomeadamente hospitais, centros de saúde, lares, bombeiros e restantes infraestruturas críticas, disponibilizando meios alternativos de abastecimento, incluindo camiões-cisterna, nas zonas onde tal venha a revelar-se necessário e reforçada a articulação com municípios vizinhos e restantes entidades competentes para assegurar toda a capacidade de resposta disponível.

Na quinta-feira, a ministra do Ambiente assegurou que um novo furo de captação de água vai entrar em funcionamento até ao fim de semana, aumentando a capacidade do sistema em cerca de 20% e que os atuais constrangimentos no abastecimento de água em Almada deverão estar resolvidos dentro de duas a três semanas.

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