Ann Widdecombe foi encontrada "com ferimentos graves". Foi aberta investigação para apurar motivações do alegado crime.
A política britânica Ann Widdecombe, de 78 anos, foi encontrada morta em casa com ferimentos graves, avançaram esta sexta-feira as autoridades do país. Um homem de 26 anos foi detido poucas horas depois do anúncio da morte de Widdecombe, que foi deputada (partido conservador) entre 1987 e 2010 e ocupou vários cargos ministeriais no governo do ex-primeiro-ministro John Major.
De acordo com a Polícia de Devon e da Cornualha, em comunicado citado pela BBC, Widdecombe foi encontrada morta no interior de casa, na quinta-feira, na sequência de um alerta para o 112. Foi aberta uma investigação para apurar as motivações do crimes.
O antigo primeiro-ministro conservador Boris Johnson descreveu-a como "uma heroica defensora do Brexit e uma excelente oradora, capaz de levar o público conservador a tal êxtase que era muito difícil seguir-lhe os passos", numa publicação na rede social X.
Carreira política marcada por posicionamentos conservadores
Durante a sua trajetória, de acordo com a BBC, Ann Widdecombe notabilizou-se pelas suas posições conservadoras, opondo-se ao aborto e à equiparação da idade de consentimento entre relações homossexuais e heterossexuais. Ou seja, neste último, para a política, um jovem poderia ser considerado legalmente capaz de consentir numa relação heterossexual aos 16 anos, mas a lei exigia que tivesse 18 ou 21 anos para poder consentir numa relação homossexual.
A sua passagem pelo governo britânico ficou também marcada pela defesa polémica do uso de algemas em reclusas durante o parto, como medida de segurança. Já na esfera pessoal, a política, que era solteira e católica praticante, defendia publicamente a importância dos valores familiares.
Depois de deixar o parlamento, mais tarde, filiou-se ao Partido do Brexit, de Nigel Farage, e exerceu funções como deputada do Parlamento Europeu entre 2019 e 2020. O seu cargo mais recente foi o de porta-voz para a imigração do Reform UK, o Partido do Brexit com nova designação.
Dois deputados britânicos em exercício foram assassinados na última década. A deputada trabalhista Jo Cox foi alvejada e esfaqueada por um indivíduo nazi durante a campanha do Brexit, em 2016. Já o deputado conservador David Amess foi esfaqueado até à morte, em 2021, por um homem inspirado pelo grupo militante Estado Islâmico.
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