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Proteger quem precisa de recomeçar

Para o novobanco, Associação de Apoio à Vítima (APAV) e Cruz Vermelha Portuguesa é muito importante reforçar a esperança das vítimas de violência doméstica num futuro digno.

09 de julho de 2026 às 11:05

Acrise social em Portugal reflete-se no problema em crescimento da violência doméstica, que obriga ao planeamento não apenas da proteção imediata das vítimas, mas também de caminhos reais para poderem recomeçar a vida com autonomia e dignidade. Várias entidades trabalham em conjunto para oferecer uma resposta concreta às vítimas destes crimes, não só adultos, como também crianças e jovens.

Em Portugal, a violência doméstica não abranda. Até 30 de setembro de 2025, a PSP e a GNR registaram 25.327 ocorrências, o valor mais elevado dos últimos sete anos, com 18 mortos (16 mulheres e dois homens), segundo dados da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género. Comparando com anos anteriores, o número de ocorrências tem aumentado: em 2019 foram 22.362; em 2020 registaram-se 21.623; em 2021 contabilizaram- se 19.781; em 2022 foram apuradas 23.264; em 2023 somaram-se 23.306 e em 2024 foram conhecidas 23.302. Em 2025, o número de homicídios cometidos até setembro é semelhante a 2024, mas inferior a 2022.

O trabalho do novobanco, Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) reforçam a resposta à violência doméstica, juntando responsabilidade social corporativa, apoio especializado às vítimas e intervenção humanitária. É neste contexto que surge a série “Humanidade em Ação”, uma iniciativa da Cruz Vermelha Portuguesa que, com empresas parceiras, em divulgação conjunta com a Medialivre, foram ao terreno mostrar o que está a ser feito em diversas causas sociais, com episódios a serem exibidos nos canais CMTV e Now.

novobanco na linha da frente

Nos últimos anos, o novobanco reforçou a atuação na área dos direitos humanos e da proteção das vítimas de violência doméstica. A integração destes temas na estratégia de ESG e de impacto social da instituição financeira espelha este compromisso, concretizado, em novembro de 2025, na celebração de um Protocolo de Mecenato com a APAV. Esta parceria prevê a atribuição de 120 mil euros à instituição particular de solidariedade social, destinado à sustentabilidade dos 27 Gabinetes de Apoio à Vítima (dados já de 2026) em todo o país. Estes gabinetes são estruturas de primeira linha na rede de apoio, funcionando como portas de entrada para milhares de pessoas a necessitar de ajuda, informação sobre direitos ou acompanhamento em processos e apoio emocional.

Ines Soares Responsavel do Gabinete de ESG do novobanco.jpg
FOTO: CStudio

“O novobanco avançou com o Protocolo de Mecenato com a APAV porque igualdade e inclusão são valores que regem a forma como trabalha e são eixos prioritários de atuação na estratégia de impacto social”, afirma Inês Soares, responsável pelo Gabinete ESG (Ambiente, Social e Governação) da quarta maior instituição financeira em Portugal. E acrescenta: “Com esta parceria podemos contribuir para o combate ao problema da violência doméstica e a promoção da igualdade.”

O protocolo inclui um apoio adicional de 44 mil euros, que financia o funcionamento anual de uma Casa de Abrigo da APAV, assegurando condições materiais para o acolhimento, em segurança, de mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. Além do apoio financeiro, o novobanco tem desenvolvido iniciativas específicas de capacitação, dirigidas às vítimas, como ações de formação em literacia financeira para mulheres acolhidas numa Casa de Abrigo da APAV. Estas formações, lecionadas por colaboradores voluntários do banco, abordam temas como gestão de orçamento, poupança e relação com instituições financeiras, reforçando a autonomia económica das vítimas — uma dimensão decisiva para a interrupção de ciclos de violência.

Rede nacional de apoio

No centro desta arquitetura de respostas está a APAV, que se dedica a prestar apoio gratuito, confidencial e especializado a vítimas de todos os tipos de crime, assim como familiares e amigos. A APAV atua através de uma rede nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima e de serviços de proximidade, complementados por uma linha telefónica de assistência imediata.

“Estes apoios centram-se essencialmente em três pilares importantes: jurídico, social e psicológico. Acreditamos que estes vértices do auxílio especializado prestado nos Gabinetes de Apoio à Vítima podem corresponder às necessidades que cada utente”, explica Raquel Ribeiro, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima de Oeiras.

Raquel Ribeiro Gestora do Gabinete de Apoio a Vitima de Oeiras.jpg
FOTO: CStudio

O acompanhamento pode incluir apoio emocional continuado, informação sobre direitos e procedimentos, preparação para depoimentos em tribunal, articulação com outras entidades e assistência na reorganização da vida quotidiana, desde a habitação ao emprego. A APAV integra ainda respostas específicas para crianças e jovens vítimas de violência sexual ou no namoro.

Os dados mais recentes mostram a dimensão e a complexidade do trabalho da associação: em 2024, a APAV apoiou diretamente 16.630 pessoas, realizou mais de 105 mil atendimentos e acompanhou 31.242 crimes e outras formas de violência, das quais a doméstica representa cerca de 76% dos casos.

Entre 2022 e 2025, a APAV apoiou 50.495 mulheres, a traduzir um aumento global de 22,8%, sendo a violência doméstica responsável por mais de 80% dos casos registados. Estes números demonstram a persistência da violência de género e doméstica e a capacidade da APAV em dar resposta a um fenómeno em crescimento.

Para garantir estabilidade e continuidade, a APAV articula financiamento público — através de protocolos plurianuais com o Estado —, com mecenato privado e responsabilidade social corporativa, na qual se insere o apoio do novobanco. Esta combinação permite manter as salas de apoio abertas, reforçar equipas técnicas e desenvolver projetos de prevenção, investigação e formação, consolidando a associação como referência nacional no apoio às vítimas.

Gabinete de Apoio a Vitima em Lisboa onde se antendem vítimas de violência doméstica
Gabinete de Apoio a Vitima em Lisboa onde se antendem vítimas de violência doméstica FOTO: CStudio

Resposta humanitária

A Cruz Vermelha Portuguesa, tradicionalmente associada à ajuda humanitária em contextos de emergência e crise, desenvolve, em paralelo, uma atuação robusta na área da violência doméstica e da proteção de grupos vulneráveis.

Novob
Novob FOTO: CStudio

“As valências da Cruz Vermelha têm uma grande amplitude. Na primeira fase, por exemplo, falamos de um Gabinete de Atendimento a Vítimas no tribunal. Numa segunda etapa, fazemos o encaminhamento para gabinetes especializados, dotados de equipas pluridisciplinares, com psicólogos, assistentes sociais e juristas. Dispomos ainda de uma RAP, que é uma resposta de acompanhamento psicoterapêutico para crianças e jovens vítimas da violência doméstica”, assegura José Pinto, Adjunto Executivo da Cruz Vermelha Portuguesa de Matosinhos.

“Posteriormente, caso seja necessário, existe a resposta de acolhimento de emergência para vítimas de violência doméstica, que vulgarmente as pessoas designam de casa de emergência. Se houver necessidade de prolongar a proteção das vítimas acolhidas, então são encaminhadas para uma casa de abrigo”, acrescenta José Pinto, que é também psicólogo.

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FOTO: CStudio

Nos últimos anos, a CVP tem reforçado a Rede Nacional de Apoio à Vítima, através de estruturas de atendimento especializado para crianças e jovens e respostas de acolhimento de emergência. Um exemplo é o Gabinete de Apoio à Vítima de Matosinhos, inaugurado neste ano, que resulta de um protocolo tripartido com o Ministério da Justiça e a Procuradoria Geral da República e se integra numa rede de acompanhamento próximo de vítimas de crime, com particular enfoque na violência doméstica. A assistência da CVP abrange ainda vítimas de tráfico de seres humanos, violação e outros crimes, maus-tratos físicos e psicológicos e situações de exclusão social, sem discriminação de raça, nacionalidade, ideologia, grupo político, religião, orientação sexual, idade, condição socioeconómica ou nível de escolaridade.

A Cruz Vermelha Portuguesa, novobanco e APAV trabalham em rede para garantir recursos estáveis e a integração económica, jurídica, emocional e social das vítimas. Enquanto o novobanco reforça as condições para as vítimas reconstruirem as suas vidas e as estruturas de apoio funcionarem com qualidade, a APAV garante o suporte técnico especializado, a escuta e o acompanhamento em todo o ciclo — da denúncia à reorganização do quotidiano. Já a Cruz Vermelha Portuguesa assegura respostas humanitárias de emergência, acolhimento, proteção física e planos de intervenção personalizados, que cuidam não apenas da segurança, mas também da dignidade e da capacidade de projetar um futuro.

Cruz Vermelha Portuguesa: “Que nenhuma vítima de violência doméstica fique por ajudar” A Cruz Vermelha Portuguesa apoia vítimas de violência doméstica de diversas formas: - acolhimento temporário para mulheres vítimas de violência, com ou sem filhos menores, que não podem permanecer nas residências habituais devido a questões de segurança; - acolhimento de emergência, durante 10 dias, a mulheres e crianças em situação de emergência resultante de violência doméstica; - resposta de proximidade nos Centros de Apoio e Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica; - proteção por teleassistência; - transporte rodoviário de vítimas de violência doméstica, dos seus filhos e dos seus pertences, entre os centros de atendimento e as casas de abrigo ou outras estruturas de acolhimento temporário.

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