Distrital do PSD acusa presidente da Câmara de Leiria de aproveitamento político
Hugo Oliveira considera que Gonçalo Lopes optou por um "discurso de natureza marcadamente partidária e de afirmação pessoal" na sequência do mau tempo.
A distrital de Leiria do PSD acusou esta sexta-feira o presidente do Município de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), de aproveitamento político, por ter optado por um "discurso de natureza marcadamente partidária e de afirmação pessoal" na sequência do mau tempo.
Através de um comunicado enviado à agência Lusa, a Comissão Política Distrital, liderada por Hugo Oliveira, defendeu que "uma situação de calamidade exige responsabilidade, cooperação institucional e sentido de unidade", pelo que "não deve existir qualquer aproveitamento político de circunstâncias que afetaram seriamente comunidades, famílias e empresas do distrito".
A distrital social-democrata lamentou que "tenham surgido posições públicas que privilegiam o individualismo político e a afirmação partidária", e considerou que "a tempestade Kristin, assim como as que se seguiram, acabou também por evidenciar esse caminho, protagonizado pelo presidente da Câmara Municipal de Leiria, que optou por um discurso de natureza marcadamente partidária e de afirmação pessoal num momento que deveria ser de convergência institucional em defesa do território".
Gonçalo Lopes é, também, presidente da Federação Distrital de Leiria do PS.
No comunicado, emitido após uma reunião, na quinta-feira, da Comissão Política Distrital, para analisar a situação pós tempestades, o PSD também questionou "o papel desempenhado ao longo dos últimos anos por quem tem responsabilidades executivas no território, designadamente no que respeita à preparação e implementação de medidas de prevenção e de reforço da resiliência do concelho de Leiria face a fenómenos climáticos extremos".
"O caminho deverá continuar a ser o de intervir com urgência sobre as necessidades imediatas resultantes dos estragos provocados pelas tempestades, enquanto se constrói simultaneamente um novo olhar estratégico sobre o território que permita reforçar a sua resiliência no futuro".
O PSD/Leiria elogiou ainda "o trabalho desenvolvido pelos autarcas do distrito de Leiria, que têm demonstrado vontade e capacidade de intervenção em defesa do território e das suas populações", e considerou que "esta atuação, articulada com os vários agentes de proteção civil e entidades no terreno, tem contribuído de forma decisiva para, dentro do possível, atenuar o impacto das dificuldades sentidas pelas populações e pelas atividades económicas".
Por outro lado, destacou a "rápida reação do Governo", liderado pelo social-democrata Luís Montenegro, "através da mobilização de medidas de apoio e de instrumentos de intervenção imediata", o que é "uma oportunidade importante para acelerar a recuperação da região, oportunidade essa que o distrito de Leiria não poderá deixar de aproveitar".
No comunicado, a distrital do PSD reiterou "disponibilidade para continuar a acompanhar este processo, defendendo soluções que permitam acelerar a recuperação do território e reforçar a capacidade de resposta do distrito perante desafios futuros, sempre colocando em primeiro lugar o interesse das populações".
Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.
Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
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