Gonçalo Lopes adiantou que, desde o dia 28 de janeiro, o município montou uma "operação gigantesca", explicando que "todas as ajudas que chegaram" integraram o dispositivo de 700 pessoas.
O presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, recusou esta sexta-feira discutir telefonemas quando ainda há população sem comunicações devido ao mau tempo, num comentário às declarações do ministro da Defesa, Nuno Melo.
"Leiria não quer discutir telefonemas quando ainda há leirienses sem comunicações. Queremos união e recursos para construir o concelho e quero agradecer às Forças Armadas pela elevação institucional e pelo trabalho exemplar que fizeram no terreno", afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes.
Na quinta-feira, Nuno Melo disse, numa audição na Assembleia da República, ter contactado Gonçalo Lopes, mas não ter obtido resposta, lamentando que o autarca tenha decidido "apoucar" quem o ajudou.
De acordo com o ministro, que mostrou aos deputados um 'print' da sua conversa com Gonçalo Lopes na rede social 'WhatsApp', assim que aterrou em Portugal no dia 29 de janeiro (um dia depois de a depressão Kristin ter atingido gravemente o concelho de Leiria), vindo da Turquia, o primeiro telefonema que fez foi para o autarca, que não o atendeu, nem lhe respondeu a uma mensagem que enviou.
Não obstante a "falta de resposta", Nuno Melo acrescentou que os militares partiram para o distrito, referindo ainda que "muitas ajudas foram recusadas", por terem sido consideradas desnecessárias.
O ministro detalhou que, nos dias 1 e 2 de fevereiro, a autarquia recusou militares para vigiar geradores devido a furtos.
Também no dia 2, segundo Nuno Melo, foi recusada igualmente a "valência de drones aéreos", e no dia seguinte, "uma cozinha de campanha" e um reforço com mais de 90 militares da Marinha.
Lembrando que a lei permite que as autarquias peçam auxílio direto às instalações militares no seu território, o governante afirmou que a autarquia de Leiria solicitou apenas nove camas, que foram entregues.
Esta sexta-feira, Gonçalo Lopes adiantou que, desde o dia 28 de janeiro, o município montou uma "operação gigantesca", explicando que "todas as ajudas que chegaram" integraram o dispositivo de 700 pessoas, incluindo bombeiros, agentes de Proteção civil, forças de segurança e Forças Armadas.
O autarca remeteu ainda para um esclarecimento enviado pela Câmara, no qual "fica bem claro o envolvimento das Forças Armadas".
Através do esclarecimento, com a linha temporal da cooperação operacional, refere-se que, no dia 28 de janeiro, num concelho sem comunicações e eletricidade, foi instalado um Posto de Comando e iniciada a coordenação operacional com todas as entidades de proteção e socorro, o fornecimento de refeições a operacionais e militares no Seminário de Leiria, e dois 'briefings' diários com oficiais de ligação das diversas entidades.
Ainda neste dia e no seguinte, foram feitos "contactos diretos com as unidades militares sediadas no concelho" (Regimento de Artilharia n.º 4 e Base Aérea n.º 5), assim como através do Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil da Região de Leiria, para "avaliar a possibilidade de mobilização de meios militares".
"Devido aos danos provocados pela tempestade nas próprias instalações militares e às dificuldades de comunicação registadas nesses dias, não foi possível mobilizar meios dessas unidades", esclareceu.
O primeiro ramo das Forças Armadas a entrar no concelho foi a Marinha através de fuzileiros, "mobilizados na sequência de contacto direto entre o Estado-Maior da Armada e o município", e posteriormente os dois restantes ramos "integraram o dispositivo de coordenação através de oficiais de ligação no Posto de Comando".
Já nos dias 1 e 2 de fevereiro, "foi avaliada a possibilidade de empenhamento de militares para vigilância de geradores devido a furtos registados", mas foi entendido não ser necessário, dado que "PSP e GNR tinham sido reforçadas desde 29 de janeiro e mantinham capacidade de resposta no concelho".
Também no dia 2, "foi equacionada a disponibilização de drones aéreos", mas o dispositivo a trabalhar em Leiria "já dispunha de meios próprios e equipamentos da Unidade Especial de Proteção e Socorro da GNR", pelo que essa capacidade "não foi considerada necessária nesse dia", mas foi utilizada posteriormente.
Quanto à proposta de instalação de uma cozinha de campanha, no dia 3, foi considerada desnecessária, dado que a autarquia "assegurava o fornecimento regular de refeições a operacionais e militares nas instalações do Seminário de Leiria, sem qualquer constrangimento logístico".
Neste dia 3, foi também proposta a mobilização de um reforço adicional de mais de 90 militares da Marinha, mas "o dispositivo já contava com cerca de 90 fuzileiros integrados", pelo que se entendeu que "esse reforço poderia ser mais útil noutros concelhos afetados, o que veio a acontecer".
"Importa igualmente referir que os meios militares que vieram a ser empenhados entraram num concelho onde o dispositivo de coordenação já se encontrava plenamente montado e em funcionamento, com Posto de Comando ativo, comunicações estabelecidas e capacidade logística assegurada pelo município, incluindo combustível, alimentação e equipamentos disponibilizados para apoio às missões que vieram a ser executadas", adianta-se no esclarecimento, destacando-se que, durante toda a operação, o Município de Leiria "manteve uma articulação permanente com as Forças Armadas".
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