Todos os verões há quem entre numa casa e, ao fim de poucos minutos, tenha a certeza de que encontrou "a tal". Coincidência? Nem por isso.
05 de agosto de 2026 às 15:32Há uma cena que se repete todos os verões. Depois de meses à procura de casa, uma pessoa entra num imóvel, vê o sol da tarde a entrar pela janela, sente o cheiro a madeira aquecida, olha para a varanda com vista para as árvores e diz, quase sem pensar: "É esta." Depois de tantas visitas, de comparações e de decisões adiadas, a escolha acontece precisamente ali. Em agosto. Às três da tarde.
Não é magia. É neurociência... com muita luz natural. Segundo Pedro Vieira, diretor de Marketing da Zome, há razões muito concretas para que o verão seja uma das épocas em que mais pessoas avançam para a compra de casa. Não se trata apenas de haver mais tempo disponível ou da proximidade de setembro. A forma como percecionamos os espaços também muda.
Quem acompanha diariamente o mercado imobiliário reconhece este padrão. Os meses de verão concentram algumas das maiores vagas de visitas do ano e o tempo entre a primeira visita e a proposta de compra tende a encurtar. Não porque os compradores sejam menos cuidadosos, mas porque estão emocionalmente mais preparados para decidir.
Parte desta dinâmica explica-se pelo calendário. Quem pretende mudar de casa antes de setembro sabe que precisa de agir durante o verão. Mas isso explica apenas quando as pessoas decidem. Não explica porque decidem mais depressa.
Para perceber o que acontece, basta pensar numa visita realizada numa manhã luminosa de julho.
Quando o sol entra pela janela, o espaço parece maior. O teto parece mais alto. A cozinha ganha outra vida. Aquilo que, em dezembro, poderia parecer apenas funcional transforma-se num espaço onde é fácil imaginar o dia a dia.
Este não é um truque de marketing. É fisiologia. A luz natural aumenta os níveis de serotonina, um neurotransmissor associado ao bem-estar, ao otimismo e à redução da perceção de risco. Diversos estudos demonstram que ambientes mais luminosos são avaliados como mais amplos, mais limpos e mais seguros, mesmo quando as suas dimensões são exatamente as mesmas.
O comprador não está a imaginar uma realidade diferente. Está simplesmente a processar essa realidade num estado emocional que amplifica os aspetos positivos e reduz a atenção ao que é menos atrativo.
Existe outro fator que influencia fortemente a decisão e que raramente surge nas análises de mercado: a relação emocional com os espaços exteriores.
Em Portugal, uma varanda, um terraço ou um jardim podem parecer apenas um "extra" durante os meses frios. No verão, transformam-se facilmente no centro da decisão. É ali que as pessoas imaginam os almoços de domingo, as tardes em família ou os encontros com amigos. E é precisamente aqui que surge um dos maiores insights sobre o comportamento do comprador.
Compram o "eu" futuro que aquele espaço lhes permite imaginar. O verão, com mais luz, calor e tempo disponível, funciona como um verdadeiro catalisador dessa projeção. A emoção abre a porta. A razão confirma se a escolha faz sentido.
1. É mais fácil imaginar o futuro
Quando estamos bem-dispostos – e o verão, com a luz, as férias e um ritmo mais tranquilo, favorece esse estado – torna-se mais fácil imaginar como será viver numa determinada casa.
O comprador de agosto consegue visualizar aquilo que o imóvel pode vir a representar na sua vida. Em janeiro, essa projeção tende a ser muito menos evidente.
2. O momento que fica na memória
O psicólogo Daniel Kahneman demonstrou que tendemos a recordar uma experiência sobretudo pelo momento de maior impacto emocional e pela forma como termina.
Numa visita de verão, esse momento pode ser a descoberta de um terraço com vista, de um jardim inesperado ou de uma janela que enquadra a paisagem. A conversa descontraída no final da visita ajuda depois a consolidar essa memória positiva.
Muitas vezes, é essa recordação que pesa mais do que a própria ficha técnica do imóvel.
3. O calendário cria urgência
O verão traz consigo uma data-limite implícita. Setembro aproxima-se, começa um novo ano letivo, regressa a rotina e muitos compradores sentem que precisam de decidir antes dessa mudança.
Essa urgência natural aumenta a motivação para fechar negócio e reduz a tendência para adiar decisões. O comprador que, em março, ainda estava apenas a observar o mercado pode estar, em agosto, pronto para apresentar uma proposta.
O verão não deve ser encarado como um momento para incentivar decisões impulsivas. Pelo contrário. Quando as emoções estão mais presentes e as escolhas tendem a acontecer mais rapidamente, cresce também a responsabilidade dos profissionais que acompanham este processo.
O papel de um bom consultor imobiliário não é aproveitar esse impulso, mas garantir que a decisão emocional tem uma base racional, que a casa que parece perfeita em julho continua a ser a escolha certa em fevereiro.
Porque comprar casa será sempre uma decisão emocional. A emoção é o motor da decisão. O acompanhamento especializado é o volante.
Sobre a Zome
A Zome nasceu, em 2019, da fusão de duas empresas de referência do setor imobiliário, no mercado há mais de 20 anos. Em 2025, mediou um volume de negócios superior a 2.276 milhões de euros em mais de 11.320 transações, que originaram uma faturação superior a 53 milhões de euros. Colaboram atualmente com a Zome mais de 2.000 pessoas, repartidas por 57 hubs imobiliários na Península Ibérica.
Este conteúdo foi produzido pela ZOME.