Empresas municipais de novo sem amarras

Dissolução em caso de contas negativas durante três anos deixa de ser obrigatória.

04 de janeiro de 2019 às 09:44
António Leitão Amaro, atual deputado do PSD, foi o secretário de Estado do Poder Local que executou a lei aprovada pelo governo de Passos Coelho, em 2012 Foto: Lusa
O deputado do PSD, António Leitão Amaro Foto: Miguel A. Lopes/Lusa
António Leitão Amaro Foto: Pedro Catarino

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A lei do Orçamento do Estado deste ano estabelece que as empresas municipais que gerem equipamentos e prestam serviços nas áreas da Cultura, Educação, Ação Social, Desporto, Ciência, Inovação e Tecnologia deixam de estar forçadas à dissolução se tiverem prejuízos durante três anos.

Em ano de eleições legislativas, é assim alterada a lei lançada em 2012 pelo governo de Passos Coelho e que levou à extinção de dezenas de empresas desde então.

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António Leitão Amaro, antigo secretário de Estado do Poder Local (PSD), discorda da alteração. "As entidades públicas devem ter empresas para atividades que têm lógica empresarial, o que implica critérios de gestão e apresentação de resultados. Se não é para isso, há outras soluções previstas na lei, como departamentos municipais", disse ao CM

Já Rui Solheiro (PS), secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, considera a medida positiva. "São áreas onde a importância não se mede só pelo resultado financeiro, mas pela intervenção social", explicou. E recorda que as alterações agora introduzidas mantêm a necessidade de gestão "tendencialmente autossustentável", ainda que com regras menos rígidas.

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As alterações à lei de 2012 são claramente permissivas quanto à constituição de empresas dedicadas à gestão de equipamentos e prestação de serviços na Cultura, permitindo assim, por exemplo, o avanço da Empresa Municipal de Cultura do Porto, chumbada duas vezes pelo Tribunal de Contas (TdC) e que visa gerir o Cinema Batalha e o Coliseu do Porto, entre outros espaços.

"Vamos refazer o estudo económico e, depois, levar novamente a proposta ao executivo e à assembleia municipal", indicou ontem o autarca Rui Moreira. As alterações recentes dão também novo fôlego à manutenção da Matosinhos Sport - cuja dissolução foi determinada duas vezes pelo TdC e nunca cumprida.

PORMENORES 

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Contra flexibilização

Ribau Esteves, autarca de Aveiro, diz-se "absolutamente contra a flexibilização de condições para criação de empresas municipais". Recorda que "herdou seis e está a extinguir todas".

Empresas para ‘tachos’

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Estas empresas são criticadas por serem, por vezes, usadas para integrar quadros municipais de origem partidária próxima dos executivos eleitos.

Exemplo oneroso na Maia

A TECMaia – Parque de Ciência e Tecnologia da Maia foi uma das empresas extintas. A câmara assume a dívida de 1,4 milhões.

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