"Era o que faltava" que Governo não indicasse ministro da Educação para debate de urgência, afirma PCP
Líder comunista afirmou ainda que seria uma "desfaçatez" que o Governo se fizesse representar por outro governante que não Fernando Alexandre.
O secretário-geral do PCP afirmou, esta terça-feira, que "era só o que faltava" o Governo não se fazer representar pelo ministro da Educação no debate de urgência sobre os exames nacionais e pediu ao executivo que não tenha essa "desfaçatez".
Em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), em Lisboa, Paulo Raimundo deu como certa a admissão do debate de urgência requerido pelo PCP para sexta-feira e frisou que caberá à Conferência de Líderes, na quarta-feira, deliberar apenas sobre a organização da discussão.
O líder comunista afirmou ainda que, embora o PCP "não esteja em condições de obrigar o ministro da Educação a ir", seria uma "desfaçatez" que o Governo se fizesse representar por outro governante que não Fernando Alexandre.
"O que eu espero é que não haja a desfaçatez, perante a situação toda, de o Governo indicar outros ministros ou outros secretários de Estado que não o Ministro da Educação. Era só o que faltava", sublinhou, acrescentando que o partido não recebeu qualquer informação do executivo sobre a sua presença neste debate.
Sobre a garantia dada por Fernando Alexandre de que os prazos para a correção dos exames serão cumpridos, Paulo Raimundo pediu ao governante que fosse "mais humilde, menos grosseiro e menos arrogante", e considerou que o ministro não tem credibilidade para falar em cumprimento de datas.
"O prazo normal seria dia 10, depois de 10 passou para 14, depois de 14 para 17. O ministro tem alguma, diria assim, tem alguma credibilidade em falar em cumprimento dos prazos? Isto até lhe fica mal. (...) Basta uma agulha para furar esse peito cheio, que não tem nenhuma razão de ser", atirou.
Para Raimundo, o problema não reside em saber se os exames estarão ou não avaliados na sexta-feira, mas sim "em que circunstâncias os resultados vão ser afixados" e que confiança se pode ter neste processo.
O secretário-geral do PCP antecipou um aumento significativo dos pedidos de reapreciação das provas devido à desconfiança criada pelos problemas durante a classificação.
Raimundo criticou ainda a decisão de anunciar o pagamento de horas extraordinárias aos professores através do porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho, considerando que foi "uma coisa completamente estapafúrdia" ver o eurodeputado "falar em nome do Governo".
Questionado sobre o pedido da IL para adiar o debate do estado da Nação para depois do debate de urgência com o ministro da Educação, Paulo Raimundo acusou o partido de ter demonstrado "um grande ato de solidariedade com o primeiro-ministro", procurando evitar que Luís Montenegro fosse confrontado com o tema no parlamento, e considerou que a iniciativa ficará "para a história" como mais uma prova de que a IL está "sempre ao serviço do Governo do PSD e do CDS-PP".
O líder comunista ironizou ainda que Bugalho só falou do pagamento de horas extraordinárias porque a revisão da lei laboral foi rejeitada no Parlamento, caso contrário estaria a propor aos professores um regime de banco de horas individual.
"Coisas dessas por parte dos porta-vozes do PSD... Esse também é cada tiro cada melro, vou dizer", rematou.
O PCP pediu um debate de urgência potestativo sobre os exames nacionais com a presença do ministro da Educação para sexta-feira, dia da divulgação dos resultados dos exames.
No requerimento entregue ao presidente da Assembleia da República (PAR), a que a agência Lusa teve acesso, o PCP pede um debate de urgência potestativo sobre "Exames Nacionais" na sessão plenária de 17 de julho, com a presença do ministro da tutela para explicar quais as medidas adotadas "para assegurar que nenhum estudante é prejudicado neste processo caótico de avaliação dos exames nacionais, cujos responsáveis são o ministério e o Governo".
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