Esquerda veta censura e dá confiança a Costa
Moção contra mortes nos incêndios rejeitada à esquerda. CDS fala em dever de indignação.
O CDS leva hoje a votos uma moção de censura ao Governo por causa das mortes na tragédia dos incêndios deste verão com uma certeza: a iniciativa será chumbada no Parlamento e, no limite, pode servir de moção de confiança ao Executivo de António Costa.
PCP, Bloco e Verdes vão votar contra. E o apoio do PSD não chega para garantir os 116 votos a favor da proposta, número que implica a demissão do Executivo.
Os centristas apresentaram a moção porque "o Governo falhou, não corrigiu o comportamento a tempo, e voltou a falhar", lê-se na moção. Mas entre o anúncio da iniciativa e a votação, o Presidente da República falou ao País, exigiu uma remodelação e remeteu para o Parlamento uma clarificação sobre o apoio ao Governo. A esquerda quer mais medidas, mas atacará o "truque grotesco" do CDS, como lhe chamou o BE.
No CDS não há volta a dar. "O que é que andaram a fazer? Governar é prever", diz ao CM o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, aludindo aos meses entre as tragédias de Pedrógão Grande e os incêndios de 15 de outubro.
"Não é uma moção calculista", mas um "dever de indignação", diz. Ainda assim, há elementos do conselho nacional do CDS que já vieram criticar a iniciativa.
PORMENORES
Volta ao País que ardeu
Os deputados centristas vão dar a volta ao País devastado pelas chamas a partir de amanhã, depois da moção de censura ao Governo no Parlamento.
Propostas centristas
O CDS-PP apresenta hoje algumas propostas, a par da moção de censura, para a prevenção de incêndios, combate e reforma florestal.
Só uma moção aprovada
Em 43 anos de democracia, o Parlamento já debateu e votou 28 moções de censura, mas só uma foi aprovada: a do PRD em 1987, contra Cavaco Silva.
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