Ex-provedora insiste numa comissão parlamentar de inquérito à Santa Casa de Lisboa

Ana Jorge e restantes elementos da ex-administração escreveram a Aguiar Branco e partidos para retomarem trabalhos iniciados em 2024.

06 de maio de 2026 às 11:46
Santa Casa de Lisboa
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A ex-provedora da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) Ana Jorge e três antigos membros da administração - João Correia, Sérgio Cintra e Teresa do Passo - pediram ao Parlamento para retomar uma comissão parlamentar de inquérito à instituição, iniciada em setembro de 2024, mas cujos trabalhos terminaram com a queda do governo, em março de 2025.

Na carta a que o CM teve acesso, os quatro antigos responsáveis da SCML afirmam ter sofrido “danos irreparáveis para a sua honra e bom nome pessoal”, considerando que a Assembleia da República é a sede institucional própria para avaliar responsabilidades políticas e administrativas, apurando os factos e as circunstâncias que possam repor a verdade e comprovar a falsidade dos fundamentos da sua exoneração”, feita pela atual ministra da Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho.

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Depois de exonerar os membros da antiga Mesa, a ministra nomeou Paulo Sousa como provedor. No Parlamento, a Comissão Parlamentar de Inquérito avançou, após proposta da Iniciativa Liberal, Chega e Bloco de Esquerda, só que os trabalhos foram encerrados e não retomados na atual legislatura.

Ana Jorge, João Correia, Sérgio Cintra e Teresa do Passo pedem, assim, aos partidos e a José Pedro Aguiar Branco para que, “com a possível urgência, deliberem a constituição de uma nova CPI à SCML, que dê continuidade às diligências e audições iniciadas na vigência da anterior, aproveitando desde logo a vasta documentação já entregue e à disposição da Assembleia da República”.

A exoneração de Ana Jorge e restante equipa diretiva aconteceu após a descoberta de um buraco financeiro com um investimento no Brasil, um negócio herdado do anterior provedor, Edmundo Martinho. Na qualidade de acionista principal de uma empresa, a SCML foi obrigada a injetar milhões de euros num projeto, até hoje, sem retorno e com suspeitas de infiltração da maior organização criminosa brasileira: o Primeiro Comando da Capital (PCC).

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