Governo aprova proposta para mudar regras de fiscalização dos contratos públicos

Proposta prevê uma nova lei de controlo financeiro e de organização do Tribunal de Contas.

09 de abril de 2026 às 17:21
Ministro da Presidência, António Leitão Amaro Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O Governo aprovou esta quinta-feira no Conselho de Ministros uma proposta de lei para mudar as regras de fiscalização dos contratos públicos pelo Tribunal de Contas.

A proposta prevê uma nova lei de controlo financeiro e de organização do Tribunal de Contas (TdC), disse o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, em conferência de imprensa no final da reunião.

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Leitão Amaro referiu-se à lei como sendo "uma das mais importantes reformas na administração pública" e na "guerra à burocracia". As mudanças, disse, trarão "celeridade para que as decisões cheguem em tempo", garantindo aos cidadãos "que aquilo que mais pedem do Estado, o Estado consegue fazer" -- tomar decisões e conseguir executá-las.

O ministro afirmou ainda que o Tribunal de Contas terá o controlo “da legalidade financeira” e “não juízos de outro tipo de oportunidade” e sem se pronunciar sobre escolhas de política pública.

Na versão que está em vigor, as entidades públicas são obrigadas a submeter a fiscalização prévia do TdC os contratos públicos acima de 750 mil euros, sem IVA, ou de 950 mil euros se o valor total dos atos estiver ou aparentar estar relacionado entre si.

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Na versão atual da lei, há determinadas despesas que as entidades públicas podem executar sem ser necessário submeterem os contratos ao visto prévio, como contratos de arrendamento, fornecimento de água, gás e eletricidade ou contratos celebrados com empresas de limpeza, de segurança de instalações e de assistência técnica.

Antes de o Governo anunciar a aprovação da iniciativa no Conselho de Ministros, o presidente do Chega afirmou hoje que vai opor-se a uma medida do Governo que passe por tornar uma exceção o visto prévio do Tribunal de Contas, considerando que esta eventual mudança é um “convite à corrupção”.

Em declarações à Lusa em 03 de março, a presidente do TdC, Filipa Urbano Calvão, considerou que os contratos públicos acima de cinco milhões de euros e com impacto em várias gerações deveriam continuar sujeitos a visto prévio.

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Também considerou que a fiscalização prévia se deve manter “em função de outros critérios”, para “áreas de contratos que tenham uma execução prolongada no tempo”, como as Parcerias Público-Privadas (PPP), pelo facto de os projetos vincularem “as gerações futuras a opções tomadas neste momento”.

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