Governo retoma em setembro processo para a construção do novo hospital do Oeste
Montenegro adiantou que é objetivo deste Governo "tomar uma decisão final para a construção do Hospital do Oeste e para que essa decisão possa ser depois transportada de forma rápida para a realidade desta região".
O primeiro-ministro admitiu esta terça-feira em Torres Vedras que a população da região Oeste "está cansada" de esperar há décadas pela construção do novo hospital, pelo que o Governo vai retomar em setembro esse processo, afirmou a ministra da Saúde.
"Sabemos bem que as pessoas estão um bocadinho cansadas das discussões à volta da localização, à volta, muitas vezes, da promoção do investimento. O que as pessoas querem é mesmo uma obra que possa ultrapassar aquelas que são as dificuldades que hoje se sentem em toda a região oeste", disse Luís Montenegro.
O primeiro-ministro adiantou que é objetivo deste Governo "tomar uma decisão final para a construção do Hospital do Oeste e para que essa decisão possa ser depois transportada de forma rápida para a realidade desta região".
Luís Montenegro discursava durante a inauguração da primeira Unidade de Saúde Familiar com gestão privada do país, no concelho de Torres Vedras, respondendo ao presidente da câmara.
"Muito rapidamente, eu diria que a partir de setembro nós teremos, de facto, este processo em movimento", afirmou aos jornalistas a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, afastando a hipótese de quaisquer adiamentos do projeto.
A governante adiantou que vai ser criada uma parceria público-privada para a construção do novo hospital.
Depois de "décadas" de estudos de localizações e modelos, "agora é tempo de avançar", incitou o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras.
Para Sérgio Galvão (PSD), "não é tempo de encomendar novos estudos, que apenas adiam decisões. É tempo de encerrar definitivamente a discussão sobre a localização do futuro hospital do Oeste", lembrando o estudo encomendado este ano pelo Município das Caldas da Rainha, que discorda da localização definida pelo Governo de António Costa.
"Não queremos bairrismos, queremos que o Oeste deixe de esperar pelo hospital que sucessivos Governos prometeram, queremos que esta legislatura fique na história por ser aquela que finalmente transformou esse compromisso numa decisão de localização e no início da obra", pediu o autarca aos membros do Governo.
Em junho, a Assembleia Municipal de Torres Vedras aprovou uma moção a pedir a intervenção do Presidente da República no processo de definição urgente da localização e do perfil assistencial do novo hospital do Oeste pelo Governo.
Vários municípios da região têm vindo a solicitar ao Governo celeridade numa decisão definitiva de localização.
Durante a campanha eleitoral para as eleições autárquicas de 12 de outubro, num jantar-comício nas Caldas da Rainha, o primeiro-ministro e líder do PSD afirmou que o Governo suspendeu "o processo que estava em curso para aprofundar a avaliação sobre a construção do hospital do Oeste", assegurando que "a decisão será a que resultar do processo de avaliação aprofundado, fundamentado com todas as consequências".
Já depois, numa reunião da comissão parlamentar da Saúde, o secretário de Estado da Saúde disse que todo o processo está em avaliação.
O equipamento deverá ter como área de influência as Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã.
Em 2023, o então ministro da Saúde, Manuel Pizarro (PS), anunciou que o novo hospital do Oeste seria construído na Quinta do Falcão, no Bombarral, no distrito de Leiria, tendo em conta a sua centralidade em relação aos concelhos que vai servir e a dimensão do terreno que permitia a expansão da nova unidade, se tal fosse necessário.
A escolha do Bombarral foi ainda sustentada em critérios de acessibilidade, como a proximidade à saída 11 da autoestrada 8 (que atravessa todo o Oeste) e à estação de caminho-de-ferro.
O novo hospital deverá substituir as unidades das Caldas da Rainha e de Peniche, no distrito de Leiria, e de Torres Vedras, no distrito de Lisboa, e servir cerca de 300 mil habitantes destes concelhos e dos de Bombarral, Cadaval e Lourinhã.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt