Guterres promete revolução na ONU

Português quer mudar forma como os 38 organismos da ONU trabalham, introduzir critérios de avaliação e reduzir a burocracia.

13 de dezembro de 2016 às 08:42
Guterres, ONU Foto: Justin Lane / EPA
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Paz, desenvolvimento sustentável e reorganização interna. As prioridades de António Guterres como secretário-geral da ONU foram ontem conhecidas, depois de o português jurar sobre a Carta das Nações Unidas, em Nova Iorque. O antigo primeiro-ministro quer "uma reforma integral" na ONU e promete "diplomacia criativa" para ajudar a resolver conflitos onde a prevenção falhou.

"Há 21 anos, quando prestei juramento para ser primeiro-ministro de Portugal, uma onda de otimismo percorria o Mundo", afirmou Guterres. O secretário-geral nomeado lembra que a Guerra Fria, ao contrário do que se acreditava, "não foi o fim da história".

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O português quer que as Nações Unidas invistam na prevenção dos conflitos através do trabalho com os países. "A nossa deficiência mais grave é a incapacidade para prevenir conflitos", declarou o sucessor de Ban Ki-moon, cujo trabalho à frente da organização foi elogiado.

"A ONU nasceu da guerra. Mas hoje devemos cuidar da paz a partir daqui." Guterres chega a secretário-geral das Nações Unidas de olhos postos na instabilidade na Síria, Iémen, Sudão e Palestina/Israel. "Estou disposto a comprometer-me pessoalmente com a solução para os conflitos", prometeu o português. "Precisamos de mediação, arbitragem e diplomacia criativa", declarou .

"É hora de os dirigentes ouvirem e mostrarem que se importam com os seus povos, com a estabilidade e com a solidariedade de que todos dependemos", continuou o antigo primeiro- -ministro. Para o português, "muitos perderam a confiança nos seus governos mas também nas instituições globais, como as Nações Unidas". Por isso, "chegou a hora de reformar a forma como a ONU trabalha". Guterres quer uma "reforma integral", que inclui a introdução de critérios de avaliação na organização que vai dirigir durante cinco anos a partir de 1 de janeiro. "Mais pessoas e menos burocracia", prometeu.

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As Nações Unidas envolvem mais de 85 mil funcionários, que desenvolvem trabalho em 180 países. Uma estrutura demasiado complexa. "Olhando para as regras de pessoal e orçamentais da ONU, somos levados a pensar que algumas delas foram feitas para prejudicar em vez de facilitar o cumprimento do nosso mandato", lamentou Guterres.

O secretário-geral da ONU vai receber pouco mais de 200 mil euros por ano, ou seja, mais de 550 euros por dia. Tem direito a casa, segurança e ajudas de custo.

No entanto, Guterres é obrigado a revelar o património de todo o seu agregado familiar.

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