INE passou a depender de milhões de novos dados para estatísticas sobre população
Instituto Nacional de Estatística explica ao CM que mudou a forma de contar a população para alinhar com "orientações europeias", mas admite que agora está mais dependente de dados do Estado.
A população residente em Portugal atingiu, no ano passado, 11,4 milhões de pessoas. Mais cerca de 674 mil do que em 2024, a última estimativa publicada pelo Instituto Nacional de Estatística, o que deixou a instituição debaixo de críticas. Ao CM, fonte oficial do INE explica que o número agora divulgado resulta de uma nova forma de contabilizar a população (e não de um erro), garantindo maior qualidade às estatísticas mas também maior dependência dos dados públicos.
“A adoção de uma metodologia de base administrativa implicou um processo complexo e moroso recorrendo a múltiplas fontes de dados administrativos, envolvendo milhões e milhões de registos, para vários anos, nomeadamente de 2021 a 2025”, explica ao CM fonte da instituição. O objetivo é alinhar “com as orientações europeias e com as melhores práticas conhecidas” no mundo da estatística.
No entanto, admite o INE, esta nova forma de contar exige a "disponibilização atempada de dados administrativos por parte das várias entidades da Administração Pública bem como o acesso a novas fontes de dados para assegurar a melhoria contínua da qualidade das estimativas produzidas". Entre a nova informação que o INE passou a ter em conta, encontra-se a dos imigrantes fornecida pela Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), daí que a grande diferença se centre no número de imigrantes. Agora, a instituição liderada por António Rui está a acelerar para rever outros indicadores.
Novas revisões
A revisão das Estimativas Anuais de População Residente para os anos de 2021 a 2024 tem impacto noutras estatísticas, nomeadamente o Inquérito ao Emprego e as Contas Nacionais, que terão de ser reavaliadas.
Acelera trabalho
O INE recorda que na última revisão a partir dos Censos de 2021 precisou de cerca de 14 meses para rever o Inquérito ao Emprego. Agora diz que “ambiciona “fazer a revisão em metade do tempo”.
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