JPP diz que a vida dos portugueses "não melhorou"
Filipe Sousa disse que vai aproveitar debate da Nação para confrontar o primeiro-ministro com o "custo de vida dos portugueses".
O deputado único do JPP, Filipe Sousa, considera que a vida dos portugueses "não melhorou" no último ano e pediu ao Governo respostas eficazes para os problemas com os quais a sociedade se vê confrontada.
"Por aquilo que eu tenho vindo a constatar ao longo destes últimos 12 meses sinto, pelos sinais que a sociedade civil me vai dando, que a vida não melhorou. Portanto, isto contrasta com o discurso ensaiado pelos governos, dos ministros, porque verdadeiramente o país real continua pior", afirmou.
O deputado eleito à Assembleia da República pelo círculo eleitoral da Madeira falava à agência Lusa a propósito do debate sobre o Estado da Nação, que decorre na quinta-feira.
Filipe Sousa disse que vai aproveitar os cinco minutos que tem neste debate de cerca de quatro horas para confrontar o primeiro-ministro com o "custo de vida dos portugueses".
"Não vou deixar passar as questões relacionadas com as insularidades, Madeira e Açores, a mobilidade aérea, a mobilidade marítima, a revisão da lei das finanças regionais. Mas há aqui questões transversais, o problema da habitação, os jovens que acima de tudo sentem um certo desalento porque não têm oportunidades de emprego, o custo de vida a aumentar, os salários que não chegam para suportar o verdadeiro custo de vida", elencou.
O deputado do JPP pediu também uma "resposta eficaz" para o Serviço Nacional de Saúde, considerando que "há muitos portugueses que ainda estão completamente à margem".
"Não entendo o porquê de as soluções não surgirem", lamentou, acusando o Governo de estar alheado destes problemas: "E depois vejo o Governo com pujança, com força, atacar aqueles mais pobres e completamente inerte no que diz respeito a grandes empresas, grandes centros económicos".
Filipe Sousa disse também que gostaria de ver "a mesma pujança e urgência" que o executivo liderado por Luís Montenegro mostrou quando quis alterar a lei do trabalho na "revisão dos contratos de concessão com a EDP, com a REN, que são contratos completamente ruinosos, que oneram as contas dos portugueses", considerando que "são leis que estão completamente blindadas e construídas aqui por interesses no Parlamento nacional".
Sobre a disponibilidade do PSD e do Governo em dialogar tanto com PS como com Chega, o madeirense assinalou que o executivo não tem maioria e, por isso, "deveria falar com todos".
"Nota-se ali [da parte do Governo] um problema de guerrilha ideológica que muitas vezes atrapalha a resolução de problemas que afetam o país", defendeu.
Filipe Sousa disse não ser "adepto do bloco central".
"Eu acho que os governos com maioria ou minoria têm de encontrar as soluções à direita, ao centro ou à esquerda para tentar passar as suas ideias, os seus programas", sustentou.
E deu como exemplo as alterações que o Governo queria introduzir na lei laboral, afirmando que o executivo deveria ter falado "com os parceiros no Parlamento para verificar a sensibilidade de cada um".
O deputado do JPP indicou também que na próxima sessão legislativa vai "apresentar soluções concretas" e lamentou "a conjuntura ou o lóbi criado pelos principais partidos", que fazem "um bloqueio" e não têm "o mínimo interesse em avançar" com respostas.
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