Justiça iliba ‘roubo’ de terreno do autódromo

Família luta para receber pelo menos um milhão de euros pelas propriedades.

13 de novembro de 2017 às 01:30
Família reclama propriedade do terreno onde está instalada a curva três do recinto desportivo no Estoril, mas perdeu ação no Supremo Tribunal de Justiça Foto: Pedro Catarino
Foto: Direitos Reservados
Família reclama propriedade do terreno onde está instalada a curva três do recinto desportivo no Estoril, mas perdeu ação no Supremo Tribunal de Justiça Foto: Pedro Catarino
Família reclama propriedade do terreno onde está instalada a curva três do recinto desportivo no Estoril, mas perdeu ação no Supremo Tribunal de Justiça Foto: Pedro Catarino

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O Supremo Tribunal de Justiça deu razão à empresa proprietária do Autódromo do Estoril, que pode ficar com os terrenos do empreendimento sem pagar nada aos proprietários com quem não chegou a acordo. Os donos das propriedades acusam a empresa de querer "roubar o terreno" e prometem avançar para o Tribunal Europeu.

Hermenegildo Silva herdou, em conjunto com três irmãos, uma propriedade com 11 000 m2 no sítio da curva três do circuito de Estoril, e já perdeu a conta ao tempo gasto em advogados e tribunais. "Há 50 anos começaram as obras. Os indivíduos queriam os terrenos e, sem dizer nada a ninguém, entraram aqui as máquinas e começaram a fazer as obras", lembra. Na altura, 1969, o pai, dono dos terrenos, achava que era o Estado que estava a ocupar o espaço. "Temos de ter em conta o contexto da época e o facto de as pessoas terem poucos conhecimentos. Ele pensava que era uma expropriação do Estado", disse ao CM Ana Maria Morais, mulher de um herdeiro.

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Os donos acreditam que o terreno vale um milhão de euros. O Supremo Tribunal de Justiça entende que já passou tempo demais e que, por isso, os terrenos já são da empresa por usucapião. "Isso é uma inverdade", diz Ana Maria Morais. "Há mais de 30 anos que temos o processo em tribunal."

A família Reis ainda tem as cadernetas dos terrenos. Os proprietários nunca chegaram a acordo com a Autodril - a empresa que primeiro deteve o autódromo. "A partir de 1974, era preciso ir à conservatória com as cadernetas para registar os terrenos. Eles tentaram fazer isso mas já não conseguiram", conta Ana Maria Morais.

Donos ganharam  processo no tribunal de primeira instância

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Em dezembro de 2013, o Tribunal de Cascais deu razão aos herdeiros da família Reis: reconheceu que existem terrenos particulares dentro do recinto do autódromo e declarou nula a escritura da Autodril - empresa que pertence ao grupo Grão-Pará.

O processo entrou em tribunal em 1999, mas só ficou concluído 14 anos depois. A Autodril interpôs recurso para o Tribunal da Relação e daí o processo passou para o Supremo. Ambos discordaram do primeiro veredito.

SAIBA MAIS

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1969 foi o ano em que se iniciou a construção do Autódromo do Estoril. Na altura, a Autodril iniciou a terraplanagem do terreno na área do autódromo e começou a construir a pista de asfalto e as bancadas para os espectadores. O circuito foi construído num planalto próximo do Estoril, por iniciativa de Fernanda Pires da Silva. Entre 1984 e 1996, acolheu o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1.

Terrenos de Tomé Feteira

O milionário Tomé Feteira, que viveu muito tempo no Brasil, era o proprietário da maior parte dos terrenos onde foi construído o Autódromo do Estoril. Quando vendeu as suas terras, Tomé Feteira alertou a Autodril para a existência de terrenos que eram propriedade de outras pessoas.

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