Livre desafia PS a travar revisão constitucional ameaçando chumbar o próximo Orçamento do Estado
Isabel Mendes Lopes considerou que o Livre "tem um papel essencial" num País "virado à direita, polarizada e extremista, que aposta no ódio e preconceito".
A porta-voz do Livre Isabel Mendes Lopes desafiou este domingo o PS a travar uma revisão constitucional à direita ameaçando chumbar o próximo Orçamento do Estado, de forma a pressionar os sociais-democratas.
Isabel Mendes Lopes falava durante o 17.º Congresso do Livre, que termina este domingo, em Sintra, depois de ter sido reeleita porta-voz, agora com o deputado Jorge Pinto.
A dirigente voltou a rejeitar um processo de revisão constitucional feito apenas à direita - cuja entrega de projetos está suspensa até dezembro, a pedido do PSD e Chega - acusando estes partidos de quererem "esventrar a Constituição".
Com representantes do PS a ouvi-la no Hockey Club de Sintra, a também líder parlamentar realçou que os socialistas têm "os votos para conseguir negociar" e pressionar o PSD.
A líder desafiou os socialistas a avisar a bancada social-democrata de que se avançarem com uma revisão constitucional "não contam" com o PS para "mais nada, inclusive para Orçamento do Estado".
Isabel Mendes Lopes considerou que o Livre "tem um papel essencial" num País "virado à direita, polarizada e extremista, que aposta no ódio e preconceito".
A dirigente disse não estar apenas a falar da extrema-direita, mas também de "partidos históricos" que "adotam a retórica e até as bandeiras da extrema-direita e a sua cartilha", legitimando-a, referindo-se ao PSD, que também teve uma representação neste congresso.
"Falo de um Governo de um País onde é impossível conseguir uma casa, onde o SNS está como está, mas que está mais preocupado em atacar a imigração, restringir a nacionalidade, discutir burcas ou proibir bandeiras", criticou.
Isabel Mendes Lopes acusou o atual executivo PSD/CDS-PP de "ataques concretos" em várias áreas que apenas "servem para dividir" a sociedade, visando os imigrantes, os direitos da comunidade LGBTQIA+ - com a pretensão de reverter a lei que criminaliza as chamadas "terapias de conversão sexual" - ou das mães que amamentam, numa referência a uma das medidas que constava do pacote laboral.
A dirigente foi ainda crítica da pretensão de eliminar da lei o conceito de violência obstetrícia e falou num "fantasma que paira" de reverter o acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez.
Para dentro, a líder parlamentar avisou que o partido cresceu muito nos últimos anos mas que isso "não basta" e é preciso agora "ampliar e enraizar" o partido.
Isabel Mendes Lopes despediu-se ainda de Rui Tavares, que a acompanhou como porta-voz nos últimos dois anos.
"Foi uma honra e também muito divertido, tenho a dizer, partilhar contigo a responsabilidade de sermos porta-vozes do Livre. Eu aprendi imenso, também acho que tu aprendeste muito", afirmou.
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