Luís Neves troca casos de polícia por desafio na política
Ao longo de 30 anos esteve associado a grandes investigações da PJ e é o primeiro polícia a chegar a ministro.
Aos 60 anos, Luís Neves assumiu o difícil cargo de ministro da Administração Interna, o ‘calcanhar de Aquiles’ de vários governos, inclusive os de Luís Montenegro, tornando-se o primeiro polícia a chegar a ministro. Formou-se em direito e começou na advocacia. Em 1995 entrou na PJ e esteve ligado à investigação criminal e terrorismo, tendo sido responsável pelo desmantelamento de células da ETA em Portugal, pela detenção de ‘skinheads’ e do líder de extrema-direita Mário Machado, da detenção em Itália do espião do SIS Frederico Carvalhão Gil e do caso do ‘Rei Ghob’.
Um dos seus primeiros casos mais mediáticos ocorreu em 2001, quando Manuel Subtil se barricou numa casa de banho da RTP. O atual governante chegou a diretor da Unidade Nacional Contra-Terrorismo, onde investigou, entre outros casos, o assalto e furto de material de guerra em Tancos, e à liderança da extinta Direção Central de Combate ao Bandtismo.
Em 2018, foi nomeado diretor nacional da PJ por António Costa, sendo reconduzido em 2021 durante o Governo socialista, e em 2024 pelo Executivo da AD. Enquanto líder da PJ desencadeou uma das maiores operações, deslocando para o arquipélago da Madeira mais de uma centena de inspetores num processo em que estão em causa suspeitas de corrupção que visavam, entre outros, o Governo Regional. Foi ainda responsável pela detenção do antigo banqueiro João Rendeiro na África do Sul e ficou associado ao desmantelamento de redes das máfias de Leste e de grupos criminosos que assaltavam multibancos com recurso a material explosivo.
Luís Neves modernizou a PJ, reforçou quadros e conseguiu um aumento salarial para os inspetores.
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