Marcelo adia visita a Madrid em decisão conjunta com Rei Felipe VI devido à tempestade Leonardo
Visita ficou prevista para sexta-feira.
O Presidente da República adiou a sua visita a Madrid prevista para sexta-feira, em decisão conjunta com o Rei de Espanha, Felipe VI, e com a concordância dos governos espanhol e português, devido à tempestade Leonardo.
Segundo uma nota publicada no sítio oficial da Presidência da República na Internet, "o Presidente da República e o Rei de Espanha realizaram uma conversa telefónica e decidiram, com a concordância dos governos da Espanha e de Portugal, suspender a visita planeada para amanhã [sexta-feira], devido aos efeitos da tempestade Leonardo, e procurar uma nova data".
Na quarta-feira, fonte da Presidência da República indicou à agência Lusa que o chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, iria decidir esta quinta-feira sobre o eventual adiamento da sua visita a Madrid, "em função da evolução da situação em Portugal e depois de uma conversa prevista com o Rei de Espanha".
Marcelo Rebelo de Sousa já tinha encurtado a sua visita a Espanha, inicialmente prevista para entre quinta e sexta-feira, devido à situação de calamidade declarada depois da passagem da tempestade Kristin por Portugal continental, e tem estado no terreno a visitar os lugares mais afetados.
Na tarde de quarta-feira, em Soure, no distrito de Coimbra, o Presidente da República disse aos jornalistas que estava em aberto a hipótese de modificar o seu programa de sexta-feira.
"Nestas ocasiões tem de haver uma disponibilidade absoluta para encarar o que se está a viver e o que se vai viver com mãos livres, total liberdade", justificou.
O chefe de Estado referiu que as visitas oficiais ao estrangeiro são organizadas com "muito tempo", mas considerou que "toda a gente percebe, a começar nos vizinhos, que também partilham a situação" e têm manifestado "solidariedade total".
"O Rei de Espanha tem-me dito, como o Governo espanhol tem dito ao senhor primeiro-ministro: tudo o que for necessário, naturalmente estamos disponíveis para apoiar", realçou.
O Presidente da República afirmou que o seu compromisso "é com Portugal e com os portugueses" e que o seu programa está constantemente sujeito a "modificações de percurso", até ao fim do mandato, em 09 de março.
"Havia pontos internacionais que estavam marcados. Um era praticamente impossível cancelar e era num momento em que parecia menos grave cumpri-lo, está cumprido [a audiência com o Papa Leão XIV no Vaticano, na segunda-feira]. Outro é possível adiar, para não ter de cancelar", acrescentou, referindo-se à visita a Madrid.
As visitas de Marcelo Rebelo de Sousa ao Vaticano e a Espanha estiveram marcadas para dezembro do ano passado, mas foram adiadas depois de o Presidente da República ter sido inesperadamente operado a uma hérnia abdominal, o que o obrigou a ficar um período em recuperação.
Foram entretanto reagendadas para esta semana, coincidindo com o período final de campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, no domingo, disputada entre António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, e André Ventura, presidente do Chega, e com os efeitos de sucessivas tempestades que atingiram Portugal, na sequência das quais onze pessoas morreram.
À passagem da depressão Kristin, na semana passada, que afetou sobretudo os distritos de Leiria, Coimbra e Santarém e deixou centenas de pessoas feridas e desalojadas, seguiu-se a depressão Leonardo, durante esta semana, que está a provocar inundações em vários pontos do país.
O Governo declarou situação de calamidade com efeitos até ao próximo domingo em 68 concelhos.
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