Marcelo Rebelo de Sousa realçou que a situação é "um teste à resistência das pessoas".
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou esta quinta-feira que Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, "é talvez a situação de cheias mais grave" do país, consistindo num "teste à resistência".
"Nesta situação específica, que é talvez aquela em termos de cheias, de longe, a mais grave que existe em todo o território, não há sinais de melhoria", afirmou o Chefe de Estado, no início de uma visita à cidade alentejana, cuja baixa está inundada desde a quarta-feira da semana passada.
Acompanhado pela presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Clarisse Campos, e por outros responsáveis locais e regionais, Marcelo Rebelo de Sousa teve uma vista panorâmica sobre as cheias no Rio Sado a partir do sítio mais alto da cidade, junto à Pousada do Castelo local.
Ao observar a água sem fim que se estende lá em baixo, onde já não se percebe onde era o leito do rio, que agora mais parece um mar, o Presidente da República admitiu que a vista sobre este cenário "é impressionante".
Questionado sobre o que mais o preocupa, Marcelo Rebelo de Sousa realçou que a situação é "um teste à resistência das pessoas", nomeadamente daqueles que têm de ser retirados das suas casas.
Mas também, continuou, à "resistência daqueles que estão a ver os seus negócios, as suas pequenas casas comerciais e coisas assim a serem atingidas, mas sobretudo das populações isoladas".
"O processo é cumulativo, quer dizer, é um dia, depois uma noite, depois mais um dia, depois mais uma noite, depois mais um dia, mais uma noite. E os mais jovens têm uma capacidade para resistir e os mais velhos têm menos", argumentou.
Marcelo Rebelo de Sousa disse ter informação do Governo de que a previsão meteorológica "é de estabilização, embora com vento", mas que é preciso "ver se isso se confirma ou não para amanhã [sexta-feira] e para sábado".
Sempre em conversa com a autarca de Alcácer do Sal, que também confessou ser "brutal" a vista a partir da pousada e apontou para aquilo que agora não é visível e está submerso pela água, como a estrada para Grândola, ou a ponte pedonal sobre o rio "praticamente submersa", o Chefe de Estado quis saber como sertão a aguentar os moradores de aldeias isoladas.
"Temos estado a dar apoio com a nossa ação social, a contactar com eles", relatou Clarisse Campos, indicado que, em Santa Catarina, ainda na quarta-feira foi pedido a uma senhora que "fornecesse as refeições dos idosos que beneficiam do apoio domiciliário".
Com ar cansado, a presidente da câmara disse que aguenta "tudo", mas que lhe faz "muita confusão" e custa ver as pessoas de Alcácer do Sal com "os negócios de uma vida, as casas, as habitações, com tudo destruído, perderem as coisas".
"Já não conseguimos perceber a diferença entre a maré baixa e a maré alta [do rio]. Não conseguimos. Subiu às 06h00 da tarde e não se mexeu nada, às 06h00 da manhã igual. Não há alteração", lamentou, recordando que "as barragens estão todas a descarregar".
No balanço que apresentou a Marcelo Rebelo de Sousa, a presidente do município revelou ainda que, até esta quinta-feira, foram retiradas de casa 143 pessoas, desde a quarta-feira passada, quando começou a inundação na baixa da cidade, com o Rio Sado a galgar a margem e a inundar a Avenida dos Aviadores, devido ao mau tempo e a depressão Kristin, à qual se seguiu a depressão Leonardo.
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