Melo chama Chega e PS para vigiar milhões da Defesa
Dois maiores partidos da oposição vão ter assento em comissão que acompanha investimento de 5,8 mil milhões de euros.
O Governo aprovou a criação de uma comissão para acompanhamento do maior investimento de sempre em Defesa, na ordem dos 5,8 mil milhões de euros, que incluirá nomes indicados pelo Chega e pelo PS. Além dos dois maiores partidos da oposição, caberá também ao PSD designar alguém para este novo órgão, que incluirá também representantes de várias áreas do Executivo e de entidades voltadas para a fiscalização, como o Tribunal de Contas, a Inspeção-Geral de Finanças e o Ministério Público.
Este organismo, do qual ainda não se conhece a composição, teve 'luz verde' na reunião do Conselho de Ministros da última quinta-feira. Nessa ocasião, ficou igualmente decidido que os contratos serão geridos por uma estrutura de missão, que ficará com a responsabilidade de comprar o material e executar as obras que foram já definidas por um grupo de trabalho, que integrava os chefes militares, as direções-gerais da Política de Defesa e Património, bem como a idD Portugal Defense (uma empresa pública que promove esta indústria). As sugestões destes especialistas para suprir as carências identificadas foram todas acatadas pela tutela.
"Não quero passar 30 anos em comissões de inquérito", atirou o ministro
"Este vai ser o processo mais transparente da história de investimentos na Forças Armadas em Democracia", afirmou o ministro da Defesa, em entrevista ao 'Expresso'. Nuno Melo justificou a ausência de concursos públicos com o facto de estar em causa o recurso a um mecanismo de empréstimo da União Europeia (SAFE) e de, por essa razão, ser necessário "adquirir equipamento de forma mais rápida". "Não obstante, a fiscalização é garantida [...] Não tenho qualquer intenção de passar os próximos 30 anos em comissões de inquérito", atirou o governante, que não disse quando será revelada a lista final de compras, da qual deverão fazer parte fragatas, satélites, sistemas antiaéreos, drones e armamento.
O SAFE possibilita o acesso a um empréstimo com dez anos de carência, dilatado em 40 anos, com uma taxa de juro de 2% ou 3%. O investimento previsto para este ano é de 870 milhões de euros (15% do total).
Não garante legislatura completa
"A composição parlamentar está demasiado fragmentada e o ambiente político demasiado fragmentado para algum de nós poder dizer com mínima base de certeza que a legislatura se vai cumprir ou que vai ser interrompida", disse Melo, ao 'Expresso'.
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