Melo considera "disparate" proposta do Chega para descer idade da reforma
Presidente do CDS-PP defendeu que são precisos "mais ativos para financiar sustentavelmente mais pensões e para as financiar durante mais anos".
O presidente do CDS-PP classificou este domingo como "um disparate" a proposta do Chega de descida da idade da reforma e acusou o partido de estar mais centrado nas próximas eleições do que nas gerações seguintes.
"Os populistas, sempre centrados na próxima eleição, nunca na próxima geração, querem reduzir a idade da reforma. A coisa é popular, tendencialmente, dá votos", mas "são os mesmos que estão a dizer aos jovens em Portugal que amanhã, quando forem velhos, não vão ter a reforma que os vossos pais têm e que os vossos avós tiveram", afirmou.
Nuno Melo discursava no encerramento do 32.º Congresso do CDS, que decorreu no sábado e este domingo, em Alcobaça, distrito de Leiria.
"Mas se isto nos permite perceber que, a par dos votos, nem sempre vem a responsabilidade, vale ao menos o disparate para refletirmos, uma vez mais, sobre o futuro da Segurança Social", afirmou.
O presidente do CDS-PP, que foi este domingo reeleito para o terceiro mandato à frente do partido, defendeu que são precisos "mais ativos para financiar sustentavelmente mais pensões e para as financiar durante mais anos".
"Nós precisamos de dar atenção, por um lado, aos cuidados com envelhecimento e, por outro, ao estímulo que as leis fiscais dão à poupança. Uma sociedade mais velha tem de ter respostas para cuidados e consumos de saúde crónicos e múltiplos, o que carece de instituições acessíveis e com qualidade e cuidadores formados e certificados", indicou, justificando que essa é uma condição "essencial para a qualidade de vida dos idosos".
O líder centrista garantiu que o seu partido "vai estar na linha da frente desse esforço, na dimensão parlamentar" e também na "área de influência no Governo".
"E do outro lado da pirâmide, num sistema que é essencialmente de repartição, achamos que é também mandatório outra coisa, estimular fiscalmente as poupanças em função da reforma, para que as primeiras pensões não sejam fortemente desajustadas. Isso será especialmente importante para as gerações mais novas".
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt