Ministra da Administração Interna admite "cultura de violência" em jovens agentes

Maria Lúcia Amaral defendeu um maior controlo nas esquadras.

22 de janeiro de 2026 às 19:01
Maria Lúcia Amaral Foto: Manuel de Almeida
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A ministra da Administração Interna recusou esta quinta-feira que os casos de abuso protagonizados por polícias tenham caráter sistemático, mas admitiu a existência de uma "cultura de violência", sobretudo nos jovens agentes, defendendo um maior controlo nas esquadras.

"No nosso país estes factos [abusos por parte dos polícias] continuam a não ser práticas sistémicas. Não poderei negar que há uma evolução negativa. Há uma espécie de cultura de violência sobretudo em escalões mais jovens, em escalões dos jovens agentes, como em todos os jovens", disse Maria Lúcia Amaral no parlamento.

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Num debate setorial no plenário da Assembleia da República, a ministra foi questionada pelos deputados, sobretudo pelo PS, BE e Livre, sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros, e o alegado envolvimento de outro agente da PSP no grupo neonazi 1143.

A governante referiu que o Ministério da Administração Interna está atento a essa cultura de violência e em "diálogo permanente" com as hierarquias da PSP e GNR, que sublinhou, "estão bem cientes do problema e bem alertadas para ele".

"Dialogamos com a hierarquia das forças de segurança, que estão bem cientes que isso acontece, para, na estrutura organizativa das esquadras, sobretudo nos grandes centros urbanos, ter formas de controlo mais adequadas, que visem precisamente impedir que essa cultura de violência se instale", sublinhou.

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A ministra frisou que "os factos horríveis" da esquadra do Rato remontam a outubro de 2024 e têm uma cronologia: "São conhecidos pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP em fevereiro de 2025 e são comunicados ao Ministério Público em março de 2025, em junho de 2025 estão decretadas as medidas de coação de prisão preventiva para os dois agentes em janeiro de 2026 é deduzida acusação".

"As instituições funcionaram e é com esse respaldo que me sinto tranquilo para dizer que temos meios para impedir que o pior aconteça", sustentou.

Maria Lúcia Amaral sublinhou que a "este sistema institucional que vigia, controla e atua é necessário juntar uma muito maior atenção" à formação dos elementos das forças de segurança e aos critérios de escolha dos novos polícias.

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A ministra defendeu que, neste momento, "é preciso ter mais atenção, cuidado e exigência nas escolas", considerando que se deve ter "muito cuidado" com a avaliação inicial que se faz aos novos candidatos.

"Agora, mais do que nunca, é necessário investir na formação dos agentes das forças de segurança e investir nas escolas, para que possamos ter profissionais cada vez mais preparados, conscientes e capazes de servirem o país com rigor e responsabilidade", afirmou.

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