Ministro da Educação defende que Portugal deve formar jovens para economia que quer, mas ainda não tem
Desafio implica dispor de sistemas de informação que permitam antecipar as necessidades do mercado de trabalho.
O ministro da Educação defendeu esta terça-feira que Portugal deve formar os jovens para uma economia que ainda não tem, mas ambiciona, desafio que implica dispor de sistemas de informação que permitam antecipar as necessidades do mercado de trabalho.
"Numa economia em mudança estrutural, vamos ter sempre este 'mismatch' (desajuste) em que estamos a formar pessoas para uma economia que ainda não temos exatamente, mas que nós queremos", afirmou Fernando Alexandre, referindo-se ao desequilíbrio entre a formação dos jovens e as necessidades do mercado de trabalho.
O governante discursava no final da sessão de encerramento do projeto "Promover um Ensino Superior mais adaptado ao mercado de trabalho: rumo a um melhor sistema de projeção de competências", uma iniciativa da OCDE e da Comissão Europeia para apoiar Portugal a antecipar as competências necessárias no mercado de trabalho melhorar o ajustamento da oferta formativa.
Numa primeira fase do projeto, a OCDE concluiu que já existem alguns mecanismos para fazer o levantamento e antecipação das competências mais necessárias no mercado de trabalho, mas são limitados e têm pouco peso nas decisões das instituições de ensino superior.
Segundo o relatório preliminar apresentado em janeiro de 2025, quando decidem abrir um curso, as universidades e politécnicos tendem a ter em consideração, sobretudo, a procura por parte dos estudantes e as necessidades relatadas pelos empregadores.
Na sessão desta terça-feira, foram apresentadas as recomendações para desenhar um sistema que disponibilize informações sobre as necessidades do mercado de trabalho, imediatas e a curto e médio prazo, em termos de competências, áreas de formação e níveis de qualificação.
Segundo o ministro da Educação, Ciência e Inovação, o desajuste entre a oferta formativa e as necessidades atuais do mercado de trabalho decorre de uma "economia em mudança estrutural" e para acompanhar essa mudança, as instituições de ensino superior devem olhar para o futuro.
"Não podemos formar apenas para as necessidades que existem agora", sublinhou, referindo como exemplo a primeira licenciatura de Engenharia Aeroespacial, criada em 1992 pelo Instituto Superior Técnico.
Durante vários anos, os diplomados desse curso "emigravam quase todos", recordou Fernando Alexandre, acrescentando que, decorridas três décadas, "Portugal começa a ter um setor espacial muito interessante", cujo desenvolvimento só foi possível devido à aposta anterior numa oferta formativa para a qual não existia procura no mercado de trabalho nacional.
"Só com um sistema de avaliação e antecipação de competências é que vamos conseguir melhorar este 'mismatch', sendo que é muito difícil prever o futuro", reconheceu.
Segundo o governante, a reforma orgânica em curso do Ministério da Educação, Ciência e Inovação responde também a esse desafio, por um lado através da atribuição de competências às comissões de coordenação e desenvolvimento regional, que melhor conhecem as realidades regionais, e da melhoria dos sistemas de informação do ministério.
Quanto às instituições de ensino superior, Fernando Alexandre reafirmou o compromisso em reforçar a autonomia das universidades e politécnicos, incluindo no que respeita à flexibilidade de ajustarem e atualizarem a oferta formativa.
Entre as recomendações apresentadas esta terça-feira, a OCDE sublinha que o novo sistema deve utilizar dados quantitativos e qualitativos para fornecer a projeção mais completa possível das necessidades do mercado de trabalho, para diferentes horizontes temporais.
Os especialistas destacam também a importância de acompanhar a transição dos diplomados para o mercado de trabalho, permitindo compreender a relação entre a escassez de profissionais e a insuficiência da oferta formativa, e avaliar os resultados obtidos pelos diplomados após a conclusão dos estudos.
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