Miranda Sarmento diz que vai aplicar taxas sobre lucros extraordiários de energéticas
Medida é semelhante à de 2022 na anterior crise dos preços dos combustíveis.
O ministro das Finanças disse esta terça-feira em Bruxelas que Portugal vai avançar com taxas sobre os lucros extraordinários de empresas energéticas, à semelhança do que aconteceu em 2022 na anterior crise dos preços dos combustíveis.
"Vamos pegar nas medidas tomadas em 2022, calibrá-las, melhorá-las e - a breve trecho -- apresentar ao parlamento uma proposta", disse Joaquim Mirada Sarmento, em declarações aos jornalistas, em Bruxelas.
O ministro acrescentou que a Comissão Europeia deixou a decisão nas mãos de cada Estado-membro.
O governante esclareceu que a situação atual é diferente da de 2022, também com um forte aumento dos preços dos combustíveis, mas sem a pressão inflacionista, dado que a inflação subjacente ('core', sem bens alimentares e energéticos), permanece nos 2,2%, 2,3%.
"Nós, há sensivelmente um mês - juntamente com outros países, maiormente Alemanha e Espanha -, apresentámos uma carta à Comissão a dizer que deveria, a nível europeu, propor uma tributação, mas se não o fizesse, que deixasse a cada Estado-membro essa decisão", recordou Miranda Sarmento, o que foi agora aprovado.
O ministro adiantou também que os países que assinaram a carta deverão "procurarem articular respostas", deixando a porta aberta para outros Estados-membros que queiram juntar-se à medida.
"Procuraremos ter o máximo possível de coordenação e também de aprender uns com os outros sobre potenciais medidas que possa cada um estar a preparar", referiu.
O mais recente conflito no Médio Oriente, iniciado no final de fevereiro e envolvendo EUA, Israel e Irão, aumentou a tensão sobre os mercados energéticos, com perturbações no estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.
O bloqueio parcial daquela passagem tem contribuído para a subida dos preços da energia e para maior volatilidade nos mercados.
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