Montenegro defende Portugal como "parceiro estratégico" da Alemanha e apela a maior integração económica

Primeiro-ministro português sublinhou que ambos os países devem "partilhar o mesmo horizonte" no contexto europeu.

05 de maio de 2026 às 19:26
Luís Montenegro Foto: Rodrigo Antunes/Lusa
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O primeiro-ministro português, Luís Montenegro, defendeu, esta terça-feira, em Berlim o reforço da cooperação económica e política entre Portugal e a Alemanha, sublinhando que ambos os países devem "partilhar o mesmo horizonte" no contexto europeu.

Num discurso em inglês proferido no "Wirtschaftstag", uma das principais conferências económico-políticas da Alemanha organizada pelo Wirtschaftsrat der CDU e que reúne cerca de 3.000 empresários, Montenegro sublinhou que "Portugal e Alemanha têm vivido sempre sob o mesmo céu europeu", assinalando: "nunca como hoje tivemos tanto potencial para partilhar o mesmo horizonte".

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Nesse sentido, Montenegro defendeu que Portugal deve ser visto "não simplesmente como mais um ator europeu, mas como um parceiro estratégico".

Ao lado do chanceler alemão, o primeiro-ministro destacou a convergência entre Lisboa e Berlim em matéria europeia, sustentando que ambos os países partilham "o impulso para a reforma e simplificação, a ambição de mais competitividade e crescimento, e a mesma fome de resultados", sublinhando ainda a proximidade política com Friedrich Merz, com quem disse contar "nos temas mais importantes do projeto europeu".

O líder do governo português procurou também apresentar o país como um caso de transformação económica, recordando a resposta à crise da dívida soberana de 2011.

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"O que se seguiu não foi apenas um ajustamento. Foi uma transformação", sustentou, destacando a redução do défice público, o regresso a excedentes orçamentais consecutivos e o aumento do peso das exportações no PIB, de cerca de um terço em 2011 para 44% em 2025.

"Portugal já não é definido pela vulnerabilidade, mas pela força, resiliência e crescimento", destacou, aplaudido pelos empresários na sala.

O chefe do Governo destacou ainda as vantagens estruturais do país, como a localização atlântica, a centralidade entre Europa, América e África e o papel das infraestruturas digitais e logísticas, sublinhando que estas características são relevantes num contexto de reconfiguração das cadeias de abastecimento globais.

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Montenegro salientou também a estabilidade política e económica do país, afirmando que o seu executivo tem promovido crescimento e investimento "sem aumento de impostos", antes pelo contrário, com redução da carga fiscal sobre famílias e empresas.

Acrescentou ainda que Portugal tem apostado na simplificação administrativa, na digitalização do Estado e na reforma de áreas estruturais como a saúde, a habitação e o mercado laboral.

No plano europeu, defendeu uma União Europeia mais competitiva, menos burocrática e mais orientada para o crescimento, sublinhando que "não há competitividade sem convergência e coesão". Alertou ainda para a necessidade de aprofundar o mercado interno e de criar um fundo europeu de competitividade capaz de apoiar o investimento e a inovação.

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Dirigindo-se diretamente aos empresários alemães, Montenegro salientou a complementaridade entre os dois países, apontando a engenharia e capacidade de planeamento alemãs e a capacidade portuguesa de adaptação e execução.

"Juntos, estas qualidades são uma combinação poderosa", afirmou, acrescentando que este é o momento de reforçar a relação bilateral e de atrair mais investimento.

O discurso de mais de 20 minutos terminou com uma citação de Goethe, proferida em alemão: "Saber não é suficiente; é preciso aplicar. Querer não é suficiente; é preciso fazer", tendo Montenegro concluído com um apelo à ação conjunta: "Vamos partilhar não apenas o mesmo céu, mas o mesmo horizonte."

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