Montenegro diz haver condições para alta velocidade Lisboa-Madrid em 2034

Primeiro-ministro reconheceu que nem sempre se cumprem os calendários assumidos nas cimeiras ibéricas.

06 de março de 2026 às 15:54
Luís Montenegro, primeiro-ministro Foto: Hugo Delgado/Lusa
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esta sexta-feira que "há todas as condições" para Lisboa e Madrid estarem ligadas por comboios de alta velocidade em 2034, depois de reconhecer que nem sempre se cumprem os calendários assumidos nas cimeiras ibéricas.

Montenegro destacou que estão a decorrer os estudos para a terceira travessia sobre o Tejo e a ligação de alta velocidade Lisboa-Madrid, "mas há uma ligação que já está feita, entre Évora e a fronteira", correspondente a "uma parte substancial do traçado que cabe a Portugal".

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"E, portanto, há todas as condições para realizar até 2034 a ligação de Lisboa-Madrid", assim como, "se a validação técnica que está em curso" tiver "bom resultado", para "a entrada em funcionamento entretanto" desse trecho já está construído.

Luís Montenegro falava em Huelva, Espanha, numa conferência conjunta com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, durante a 36.ª cimeira ibérica.

Ambos foram questionados sobre os projetos de ligações ferroviárias e outros que recorrentemente saem nas declarações finais e acordos das cimeiras luso-espanholas, sem que se cumpram os prazos de execução.

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Montenegro reconheceu que "nem sempre os prazos de execução" dos projetos assumidos nos acordos das cimeiras "são os desejáveis", mas defendeu ser preciso clarificar que, no caso dos comboios, as obras estão a avançar.

Além da ligação entre as duas capitais, referiu que neste momento está a ser construída a linha de alta velocidade que vai unir Lisboa, Porto e Vigo (na Galiza), com o Governo a estimar a conclusão em 2032 ou 2033.

Quanto à ligação entre Aveiro e Salamanca, e entre Faro e Sevilha, volta a ser mencionada nos documentos da cimeira de Huelva de hoje a intenção de continuar os estudos relacionados com os dois projetos.

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Sobre o caso da linha Faro-Sevilha, que passará por Huelva, o primeiro-ministro português destacou que só foi mencionado pela primeira vez nas declarações das cimeiras ibéricas no anterior encontro entre os Governos de Portugal e Espanha, realizado em Faro, em outubro de 2024.

Pedro Sánchez, por seu turno, considerou que "é verdade que alguns investimentos têm de ser acelerados e agilizados" e garantiu o compromisso de Espanha com a concretização das ligações ferroviárias acordados, realçando que várias estão vinculadas a projetos e iniciativas importantes para os dois países, como o mundial de futebol de 2030.

Tanto Montenegro como Sánchez sublinharam, porém, a importância e impacto das cimeiras ibéricas e dos acordos que saem dos encontros, dando ambos o exemplo dos temporais deste ano que atingiram a Península Ibérica e a gestão dos caudais dos rios partilhados.

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Ambos destacaram que foram evitadas situações ainda mais graves graças à cooperação entre os dois países e aos acordos sobre água saídos da cimeira de Faro, em 2024.

"É portanto um bom exemplo para podermos realçar que estas cimeiras não são apenas a subscrição de documentos, não são apenas uma nova oportunidade para partilharmos pontos de vista, isto tem um efeito prático e um resultado que se pode depois", disse Luís Montenegro.

Luís Montenegro, que manifestou solidariedade e deixou uma palavra de "conforto" a Espanha pelo impacto do mau tempo no país e as vítimas dos recentes acidentes de comboio, destacou a cooperação e articulação entre os dois governos por acusa das cheias.

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A gestão conjunta dos caudais "foi fundamental para que as consequências não tivessem sido ainda piores" nos dois países, "mas em particular do lado português", afirmou.

Também Sánchez manifestou a solidariedade do povo espanhol a Portugal por causa dos efeitos e as vítimas do mau tempo.

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