Montenegro ignora "ruído" de Trump e destaca papel de Portugal como aliado "cumpridor" da NATO
Chefe do executivo portugês sublinhou ainda, à margem da Cimeira da NATO na Turquia, que "via diplomática continua a ser o único caminho viável para restabelecer a paz e garantir a estabilidade estratégica".
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta quarta-feira, à margem da 36.ª Cimeira da NATO, em Ancara, na Turquia que Portugal demonstrou ser um aliado "cumpridor" e totalmente alinhado com a estratégia da Aliança Atlântica.
“Fomos alvo de um comentário positivo, muito positivo, diria mesmo elogioso, por parte do secretário-geral da NATO, relativamente à fiabilidade do compromisso que assumimos e da sua concretização”, destacou Montenegro em conferência de imprensa.
Em Ancara, o primeiro-ministro realçou que Portugal superou, em 2025, a meta de 2% do PIB na Defesa, o que representou uma subida de 38% face ao ano anterior. Com uma despesa superior a 6 mil milhões de euros, o país atingiu os 2,1% do PIB, cumprindo pela primeira vez a meta de longo prazo da Aliança Atlântica.
Olhando para o futuro imediato, Montenegro apontou metas ainda mais ambiciosas para 2026. O plano do executivo passa por elevar o investimento total para 3,1% do PIB, uma verba que será dividida entre 2,1% destinados a gastos diretos com a Defesa e 1% alocado a projetos de dupla utilização, setores estratégicos como as telecomunicações e a energia.
Apoio de mais 50 milhões à Ucrânia e desvalorização de "ruído" na NATO
O chefe do Executivo reafirmou ainda o apoio a Kiev com um novo pacote de 50 milhões de euros, focado na defesa antiaérea, reiterando que a luta ucraniana é "crucial para a nossa segurança e para os nossos valores democráticos
Questionado sobre as críticas de Donald Trump aos aliados, Montenegro garantiu que "não houve uma única divergência" à mesa das negociações. O primeiro-ministro optou por ignorar o "ruído" político, focando-se na convergência estratégica entre os Estados-membros.
Quanto à instabilidade no Médio Oriente, o governante sublinhou que "a via diplomática e negocial é a correta para restabelecer a paz". Sobre a questão iraniana, Montenegro foi claro: é essencial garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz e assegurar que o Irão não obtenha armamento nuclear.
No segundo e último dia da Cimeira da NATO, o primeiro-ministro sublinhou que os aliados se concentraram em reafirmar compromissos estratégicos, minimizando as tensões políticas internas e reforçando a unidade da organização perante os desafios da frente sul e marítima.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt