"Nada disto me vai intimidar ou vai deixar de me fazer governar", afirma Luís Neves

Declarações surgem depois de ter sido questionado pelos jornalistas, na segunda-feira, sobre a ameaça da moção de censura ao executivo do primeiro-ministro.

Atualizado a 01 de setembro de 2026 às 15:46
Ministro da Administração Interna, Luís Neves Foto: FILIPE AMORIM
Partilhar

O ministro da Administração Interna quebrou esta terça-feira o silêncio para responder às polémicas que têm marcado a sua tutela, deixando um aviso direto: "Nada disto me vai intimidar ou vai deixar de me fazer governar", referiu. "Sem provas não há acusação, há difamação", referiu Luís Neves. "Transforma-se práticas comuns, legais, em crimes", acusou o ministro. 

As declarações de Luís Neves surgem depois de ter sido questionado pelos jornalistas, na segunda-feira, sobre a ameaça da moção de censura ao executivo do primeiro-ministro, Luís Montenegro, por parte do Chega. "Se nós não tivermos a resolução desta situação, nós juntar-nos-emos ao apelo que o Presidente da República fez e apresentaremos uma moção de censura na terça-feira no parlamento", referiu André Ventura. 

Pub

Ministro rejeita acusações de Ventura e garante presença no Parlamento a 8 de setembro

O ministro defendeu que tem autoridade para continuar a governar e acusou o presidente do Chega, André Ventura, de lançar "o caos, porque dá jeito". "Não aceito que André Ventura transforme aquilo que assumi naquilo que nunca fiz", acrescentou. "Quero dizer a André Ventura que estarei totalmente disponível para responder a qualquer questão", garantiu o ministro, referindo que iria estar no Parlamento no próximo dia 8 de setembro. 

Ainda sobre Ventura, MAI disse que "destruição pessoal" ultrapassou limites quando Ventura o comparou a um 'gangster'. "Não posso ignorar o que está a acontecer no debate político. Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de mentiras, insinuações, e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites", declarou Luís Neves, na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, que decorreu em Câmara de Lobos.

Pub

O ministro disse que "podia falar no abstrato", mas apontou diretamente ao presidente do Chega, André Ventura: "Comparou-me a um 'gangster' e até já falou que só falta que ande a vender droga na rua".

Luís Neves acrescentou que o presidente do Chega tem feito insinuações e acusações, sem provas, com o objetivo de "destruir" a sua reputação.

"Isto não é escrutínio, isto não é investigação política", afirmou o ministro, defendendo que tem "mais de 30 anos dedicados ao serviço público" e "um legado operacional e de dirigente que é à prova de bala".

Pub

No esclarecimento que fez ao País, em julho, o ministro da Administração Interna quebrou o silêncio em relação às polémicas em torno das obras num monte alentejano feitas por um empreiteiro que trabalhava para a Polícia Judiciária e a movimentação de um atrelado apreendido num processo de tráfico de droga, feita pelo mesmo empresário.

Depois das polémicas relacionadas com a propriedade em Odemira, nos últimos dias vieram a público notícias que referem que Luís Neves dispõe, no ministério, de várias viaturas oficiais topo de gama, de dois motoristas e de quatro elementos de segurança. O governante conduz e leva para casa um carro desportivo apreendido pela Polícia Judiciária, que será o mesmo carro que já usava enquanto diretor-nacional da PJ. "Enquanto diretor da PJ devo ter declarado de mais de 800 viaturas e outros bens. Parece que alguém agora está do lado de quem cometeu crimes", referiu Luís Neves sobre o tema do carro apreendido pela Polícia Judiciária.

'Neves acusa acusa críticos de ignorância ou má-fé na polémica da apreensão do carro de Xuxas'

Pub

Sobre o facto de conduzir um carro apreendido a Ruben Oliveira, conhecido por 'Xuxas', condenado a 20 anos de prisão por tráfico de droga, o ministro disse que a legislação que o permite é de 2007 e que, ao serviço da Polícia Judiciária, afetou a favor do Estado centenas de viaturas e bens, tal como fez com televisores, sofás e equipamento de ginásio apreendidos no mesmo processo, que colocou ao serviço de "melhores condições e preparação física" de quem investiga o crime.

"Apliquei a lei", afirmou o ministro, que acrescentou ainda: "Há quem veja nisso um escândalo por pura ignorância ou má-fé. Eu vejo polícias mais preparados e o produto do crime devolvido ao serviço da sociedade".

"Lança-se uma acusação grave, sabendo que será repetida dia após dia durante dias, mesmo que nunca venha a ser demonstrada, porque nunca será, porque não existe. Quando essa acusação perde força lança-se uma outra, sempre com o oportuno pretexto de grandes investigações jornalísticas sustentadas na inveja e na falsidade daqueles que eu próprio afastei", acusou Neves, que acrescentou que nunca uma decisão sua foi judicialmente revogada.

Pub

Após este discurso feito perante o comando regional da PSP da Madeira, Luís Neves falou aos jornalistas tendo-se recusado a concretizar a quem se referia.

Luís Neves recusou ainda estar "desaparecido em combate", dizendo estar a trabalhar "no combate que realmente interessa", em prol de polícias, bombeiros, proteção civil.

De acordo com a Constituição da República, o Parlamento pode votar moções de censura ao Governo "sobre a execução do seu programa ou assunto relevante de interesse nacional", por iniciativa de um quarto dos deputados em efetividade de funções ou de qualquer grupo parlamentar. 

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar