"Não há portugueses puros, há portugueses diversos na sua riqueza cultural": Marcelo discursa no Parlamento Europeu

Presidente da República participa na cerimónia dos 40 anos da adesão de Portugal à CEE

21 de janeiro de 2026 às 11:47
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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, discursou esta quarta-feira de manhã no Parlamento Europeu em Estrasburgo, França. No seu discurso cujo mote é a adesão de Portugal há 40 anos à Comunidade Económica Europeia (CEE), Marcelo Rebelo de Sousa destacou: "Não há portugueses puros, há portugueses diversos na sua riqueza cultural".

"Somos europeus na Língua, na Cultura, na História e porque europeus somos universais", prosseguiu.

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Marcelo Rebelo de Sousa salientou que o Reino de Portugal "nasceu na Europa e nasceu de linhagens europeias", recordando a ligação materna de D. Afonso Henriques ao Reino de Leão, que mais tarde "formaria o Reino de Espanha", e paterna ao Duque de Borgonha, "que ajudaria a formar o Reino de França".

"Mas nasceu também de linhagens vindas de outras Europas, do Norte, do Sul, do Oeste e do Leste. E de África e das Ásias. Mais tarde, das Américas e das Oceanias. Num caldo de etnias, culturas e religiões", afirmou.

Marcelo Rebelo de Sousa deixou claro que o País "nunca desistirá da Europa", uma vez que, segundo o Presidente da República, desistir da Europa é desistir de uma parte essencial de Portugal".

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Presente na sessão comemorativa está também o rei de Espanha, Felipe VI, uma vez que Portugal e Espanha assinaram os tratados de adesão à CEE no dia 12 de junho de 1985 e tornaram-se membros efetivos em 1 de janeiro de 1986.

Marcelo avisa que quem tentar dividir pela força mundo em hemisférios irá falhar

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O Presidente da República avisou hoje que quem tentar "refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado" irá falhar e afirmou que as alianças "valem mais do que a espuma, mesmo sedutora, de cada dia".

"Não há quem consiga hoje refazer pela força a divisão do mundo em hemisférios como no passado e sonhar controlar o seu hemisfério, ou resolver problemas universais por si só. Falhará quem o tente no século XXI, como falharam outros no século XX", avisou.

Marcelo Rebelo de Sousa referia-se a declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, após a captura do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, no início de janeiro, afirmou que "o domínio americano no hemisfério ocidental nunca mais será questionado".

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Novamente numa alusão a Trump, o Presidente da República pediu que "não se invoque o bilateralismo, que verdadeiramente é unilateralismo - que é uma forma de enfraquecer o multilateralismo e as instituições internacionais - sem que quem deseja exercer essa hegemonia, esse controlo, tenha condições para o fazer como sonha ou afirma".

"E não há como fazê-lo ignorando a Europa, o seu poder nos valores, na justiça social e na economia mundial porque a Europa ainda é e será sempre o berço da democracia, o farol das liberdades, o esteio do Estado de Direito, a referência do estado social", afirmou.

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Perante os eurodeputados e o Rei de Espanha, salientou que os portugueses "são europeus sempre, transatlânticos sempre, universais sempre".

"Avancemos, pois, recriemo-nos no que for necessário, que os aliados e os parceiros que desejamos virão, como sempre vieram, quando entenderem que não há senhores únicos do globo, que não há poderes eternos e que as nossas alianças e parcerias valem mais do que a espuma, mesmo espetacular, mesmo sedutora, de cada dia", disse, recebendo aplausos do hemiciclo.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que "é hoje moda do momento esquecer, minimizar, diminuir a Europa e o seu papel no mundo".

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"Não percamos um segundo a hesitar, a duvidar, a autoflagelarmo-nos. Temos mais liberdade, democracia, Estado de Direito. Muitos de nós estão em lugar cimeiro do desenvolvimento humano e dos padrões de igualdade social", referiu, afirmando que a Europa é um "destino sonhado por tantos, de todos os continentes".

"Mas sabemos que tudo isto não basta. Perdemos por vezes tempo e temos de fazer mais e melhor", disse, defendendo que é necessária "mais juventude, mais tecnologia, mais segurança comum, mais crescimento, mais capacidade de mudança dos sistemas políticos" e "mais futuro".

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