"Não concordo com subsidiação especial para a comunicação social", afirma Rui Rio à CMTV
Líder da oposição diz que o que importa "é ajudar o Governo para que tenha êxito".
"Neste momento, acima de tudo, o que importa é ajudar o Governo para que o Governo tenha êxito", começou por dizer Rui Rio, numa entrevista exclusiva esta quarta-feira ao Jornal das 8h da CMTV.
Na entrevista, o líder do PSD disse não estar "nada arrependido" de "ajudar o Governo a ter êxito" no combate à pandemia de covid-19, mas recusou que tenha suspendido a oposição, destacando as críticas "fortes" que fez às medidas excecionais de libertação de reclusos.
O líder do PSD admitiu durante a entrevista que está "muito preocupado" com os ajustes diretos realizados pelo Ministério da Saúde com empresas fornecedoras de material médico para o combate à Covid-19.
O presidente do PSD defendeu que o Ministério Público deve estar "muito atento" aos ajustes diretos que forem feitos no âmbito da pandemia de covid-19, considerando "inadmissível" que possa ter havido uma tentativa de "privilégio de amigos".
Rui Rio foi questionado sobre uma notícia avançada pelo CM, segundo a qual o Ministério da Saúde está a fazer negócios milionários por ajuste direto, sem publicar ou assinar contrato escrito, com fornecedores de equipamentos de proteção individual, tais como máscaras e álcool em gel, num montante total de 79,8 milhões de euros entre de meados de março e 23 de abril
"Vejo não é mal, é muito, muito mal. Uma coisa é percebermos que o Estado e as autarquias, no auge da pandemia, têm de comprar mascaras, testes e não podemos fazer um concurso público e ficar meses à espera. Coisa diferente é quando não é um ajuste direito de milhares de euros, mas de milhões, e depois é do amigo daqui ou dali", afirmou.
Relativamente à TAP, Rui Rio refere que o Estado está pronto a injetar dinheiro na transportadora aérea portuguesa, mas que essa situação não significa a capitalização da empresa. Neste caso, o líder social-democrata diz que "tem de ser o Estado a acompanhar a empresa. "Se o Estado vier a entrar com mais capital, não quer dizer que venha a ficar lá eternamente", refere, acrescentando que "fazer um empréstimo à TAP não é capitalizar".
Rui Rio voltou a criticar os apoios previstos pelo Governo para a comunicação social, nomeadamente a compra antecipada de publicidade paga para compensar a perda de receitas publicitárias: "Não tenho aquela costela socialista de meter dinheiro dinheiro em determinados setores" para tirar de outros. O líder do PSD admitiu que não concordava "com subsidiação especial para a comunicação social" e comparou as empresas de comunicação social às fábricas de móveis ou sapatos. "As empresas de comunicação social são empresas iguais às que fabricam móveis, sapatos, têxteis. Se têm uma dificuldade, devem ter todos os apoios que existem para todas as empresas", afirmou.
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