Num coro de críticas, líderes políticos reagem à saída da ministra da Administração Interna
Chega, PS e Iniciativa Liberal consideram que demissão de Maria Lúcia Amaral peca por tardia e mostra a "incapacidade" do Governo.
A demissão de Maria Lúcia Amaral anunciada esta terça-feira já motivou reações dos principais líderes partidários. Na oposição, Chega, PS e IL elogiam a demissão mas afirmam que o timing peca por tardio, e que a gestão da Ministra da Administração Interna (MAI) da crise do mau tempo é uma prova da "incapacidade" do Governo.
José Luís Carneiro foi o primeiro líder a pronunciar-se, minutos depois do anúncio da demissão. O secretário-geral do PS defendeu que a saída da MAI "é a prova de que o Governo falhou na resposta" à tempestade e lembrou que "o mais importante responsável da Proteção Civil" é o primeiro-ministro.
"Eu amanhã tenho a intenção de dizer ao primeiro-ministro aquilo que tenho a dizer no debate parlamentar, mas é evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o Governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade", disse aos jornalistas José Luís Carneiro à chegada à sede do PS, onde decorre a Comissão Política Nacional do PS. Na perspetiva do líder do PS, Luís Montenegro não se "pode alienar as suas próprias responsabilidades".
"O primeiro e mais importante responsável da Proteção Civil no país é o primeiro-ministro", defendeu.
O presidente do Chega, André Ventura, considerou que a demissão "é a prova da incapacidade do Governo" em gerir os problemas do país e "um falhanço evidente" do primeiro-ministro.
"Esta demissão da Sra. Ministra da Administração Interna é a prova da incapacidade do Governo em gerir todas as adversidades que o país tem enfrentado, desde os incêndios ao recente fenómeno das tempestades", escreveu o antigo candidato presidencial na sua página oficial na rede social X.
André Ventura considerou que "é um falhanço evidente de Luís Montenegro que, da Saúde à Administração Interna, vai perdendo o controlo do Governo" e questionou "quanto mais tempo vai demorar até serem resolvidos os outros 'erros de casting' deste Governo", defendendo que "Portugal merece muito mais".
Já a presidente da Iniciativa Liberal defendeu que a saída peca por tardia e instou o Governo a "enfrentar esta pasta com competência e capacidade de comunicação em situação de crise".
"Há 5 dias. Foram 5 dias que se perderam. O governo deve enfrentar esta pasta com competência, resposta pronta e capacidade de comunicação em situação de crise. As populações estão desesperadas. São necessárias soluções já", pode ler-se, numa mensagem de Mariana Leitão na rede social X.
Na semana passada, Mariana Leitão defendeu a saída de Maria Lúcia Amaral do Governo em entrevista ao canal Now, sublinhando que a ministra não tinha condições para continuar no cargo após ter demonstrado um "completo desnorte" na gestão da crise causada pelo mau tempo.
O coordenador nacional do BE, José Manuel Pureza, considerou que a decisão era "a única saída", mas alertou que o país "exige mudanças" e não apenas saídas de cargos.
"A demissão da MAI era a única saída. Entre a falta de prevenção e o erro na resposta, o Governo falhou no seu dever mais básico: proteger o nosso povo", sustentou o coordenador do BE, numa publicação nas redes sociais.
Pureza salientou que "milhares de famílias pagaram o preço da incompetência e do abandono" e alertou ainda que "o país exige mudanças, não apenas demissões".
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