PCP acusa Câmara de Coimbra de preparar transportes para concessão a privados
Acusações surgem após ter sido aprovada uma redução da oferta para agosto.
O PCP de Coimbra acusou esta sexta-feira o executivo liderado pela coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN) de estar a preparar a operação dos Transportes Urbanos para uma concessão a privados, após ter sido aprovada uma redução de oferta para agosto.
Em comunicado enviado à agência Lusa, a comissão concelhia do PCP afirmou que a aprovação, na reunião do executivo de segunda-feira, de uma redução de mais de 100 horários em 20 linhas no mês de agosto, é um "ensaio para adequar a operação" dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) a uma "concessão a privados".
No dia em que a proposta de redução da oferta para agosto foi aprovada, com os votos contra da coligação Juntos Somos Coimbra (liderada pelo PSD), a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, admitiu equacionar uma concessão externa dos transportes urbanos do concelho.
O PCP considerou que os cortes agora propostos (depois de cortes de dimensões semelhantes para a época das férias escolares) "foram muito mais longe que em anteriores épocas estivais".
Para os comunistas, o executivo da coligação Avançar Coimbra, ao avançar com cortes para "adequar a oferta à capacidade operacional" dos SMTUC, estará a ajustar a operação dos Transportes Urbanos de Coimbra "aos interesses da concessão a privados e não às necessidades dos utentes".
"Este objetivo existe há anos e alia a não resolução de problemas estruturais, a degradação de serviços e a pioria de condições de trabalho, para justificar a entrega a privados. Mas a adequação da operação aos interesses de um privado implica também o corte de linhas e horários. O privado quer que lhe garantam lucros, sem grandes encargos operacionais", afirmou o PCP.
O comunicado alerta ainda que a entrega dos SMTUC a privados "significará sempre uma aceleração da degradação do serviço, uma redução de oferta do serviço prestado e aumentos generalizados de preços".
"A concessão não servirá os interesses dos utentes, nem dos trabalhadores, nem do município, servirá sempre a acumulação de lucros privados. O PCP e a CDU combaterão este plano, defenderão o serviço público de transportes e apelam à luta da população e dos trabalhadores contra a empresarialização ou concessão a privados dos SMTUC", vincou.
Na terça-feira, também o Bloco de Esquerda local aproveitou as declarações de Ana Abrunhosa para acusar o executivo de "contradições" e de apresentar propostas que não se distinguem "do PSD ou da IL".
Durante a campanha, a cabeça de lista da coligação Avançar Coimbra (que inclui ainda o movimento Cidadãos por Coimbra) defendeu a constituição de uma empresa municipal para os SMTUC.
Já na reunião do executivo de segunda-feira, Ana Abrunhosa, abordando a revisão da rede dos SMTUC e a dificuldade que seria implementá-la com os meios existentes nos SMTUC, admitiu que se teria de "equacionar uma concessão externa".
"Temos mesmos de equacionar, com ponderação. [...] O que as pessoas querem é qualidade do serviço. A marca que aparece no autocarro não é o mais interessante", afirmou, na altura, a autarca.
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