PCP acusa Governo de ignorar "questão grossa" dos lucros perante crise
Paulo Raimundo aponta que anúncios de Luís Montenegro após o conselho de ministros, foram focados na propaganda de um país com indicadores macroeconómicos excecionais que não se refletem no dia a dia das famílias.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou esta sexta-feira o Governo de ter um discurso de "sucesso estatístico" enquanto ignora o impacto da especulação e dos lucros excessivos no custo de vida dos portugueses.
Para o líder comunista, os anúncios de Luís Montenegro após o conselho de ministros, foram "o costume": focados na propaganda de um país com indicadores macroeconómicos excecionais que não se refletem no dia a dia das famílias.
"Portugal está espetacular, os números do excedente orçamental são os melhores (...) vamos ser novamente capa do ´Economist´", ironizou Raimundo, criticando a falta de intervenção direta do Governo PSD/CDS na economia real do país.
A principal critica do PCP volta a recair sobre a ausência de medidas que limitem as margens de lucro dos grandes grupos económicos, com Paulo Raimundo a dizer que o executivo não tocou "um quarto de cêntimo que fosse" na questão da especulação e nas margens de lucro, nomeadamente no setor dos combustíveis.
O secretário-geral desvalorizou ainda o montante de 150 milhões de euros destinado ao apoio à agricultura e mercadorias, comparando-o com a rentabilidade do setor financeiro: "é pouco mais do que a banca lucrou por mês o ano passado".
O Governo aprovou hoje medidas para fazer face ao aumento dos combustíveis devido à guerra no Médio Oriente com um custo de cerca de 150 milhões de euros por mês, entre 1 de abril e 30 de junho, para o gasóleo profissional utilizado pelos transportes de mercadorias, um apoio extraordinário aos setores agrícola, florestal, das pescas e aquicultura, apoios às associações humanitárias de bombeiros e às empresas de táxis e um pagamento único às Instituições Particulares de Solidariedade Social.
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