PCP diz que grandes empresas apoiam a guerra no Irão mas não contribuem para enfrentar consequências
Paulo Raimundo acusa as petrolíferas de especularem com os preços de combustíveis que já "foram comprados há meses".
O secretário-geral do PCP acusou esta segunda-feira as grandes empresas de especulação e de apoiarem a guerra no Irão sem abdicarem de "nem um cêntimo das suas margens de lucro" para enfrentar as consequências do conflito.
Num discurso na sessão de abertura das jornadas parlamentares do PCP, em Viana do Castelo, Paulo Raimundo referiu-se à guerra no Irão para falar da subida do preço dos combustíveis, acusando as empresas de especularem com combustíveis que já "foram comprados há meses".
"Também aqui na região se sente já hoje o aumento dos preços dos combustíveis, aqueles que foram comprados há meses e que estão a ser aproveitados pela mais descarada especulação por parte de quem já tantos milhões lucra, como é o caso, entre outros, da Galp", atirou.
E acrescentou: "Os preços sobem, nós todos pagamos mais, o Governo reduz impostos e as grandes empresas nem um cêntimo das suas margens de lucro cedem para enfrentar as consequências das guerras que eles próprios apoiam".
Paulo Raimundo criticou também o Governo, bem como o Chega e a IL, acusando-os de "arrastarem o país para uma guerra, ao colocarem-se "entusiasticamente" ao lado dos Estados Unidos e Israel. "Permitiram o uso da base das Lajes, associaram Portugal a esta loucura, são responsáveis pelas consequências da guerra, que se fazem sentir nos bolsos de todos e de cada um", enfatizou.
Raimundo desafiou ainda os partidos a posicionarem-se em relação ao conjunto de propostas apresentadas pelo PCP no parlamento, na semana passada, para combater a especulação sobre combustíveis e alimentos.
Paula Santos, líder parlamentar da bancada comunista, interveio antes e lamentou que "mais uma vez seja transferida a fatura da guerra para os povos, com consequências extremamente negativas para o povo português, como já se está a sentir".
"Há impactos da guerra no Médio Oriente, na sequência da agressão militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, ao arrepio do direito internacional, mas há também o oportunismo dos grupos económicos que se aproveitam da situação para aplicar preços especulativos", criticou.
O secretário-geral do PCP falou ainda da "Agenda Transformadora" do Governo, afirmando estar em causa "a velha e estafada reforma do Estado para tentar justificar retrocessos e injustiça".
Para o líder do PCP, é preciso uma "nova política, que ponha fim às transferências milionárias de recursos e meios públicos para os grupos privados, que trave de uma vez por todas os benefícios e perdões fiscais" como a descida do IRC, que, acrescentou, "priva o país de milhões e milhões da riqueza que é criada e cada vez mais é concentrada nas mãos dos poucos".
"Uma política que não permita que esses que estão, no plano teórico, sempre contra o Estado sejam os mesmos que, na prática, vivem à custa do Estado, vivem das suas negociatas, dos subsídios e dos recursos públicos", argumentou.
No mesmo discurso, abordou ainda a privatização dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, argumentando que se tratou de "um belo negócio para uns poucos, mas que teve consequências na economia regional e no plano nacional".
"Teve consequências nos direitos dos trabalhadores que agora ali trabalham, levou à emigração de muitos trabalhadores altamente qualificados e o país perdeu capacidade produtiva e capacidade de decisão", acrescentou.
A nível local, Raimundo falou ainda da empresa responsável pela gestão do sistema de águas da região do Alto Minho, frisando que é uma entidade contra a qual os comunistas "sempre se bateram" e criticou a concessão a privados do serviço de radiologia do Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo.
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