PCP e CDS rejeitam imposições de Bruxelas
Comunistas e centristas defendem que decisão deve ser tomada por cada Estado.
O PCP e o CDS rejeitam qualquer imposição sobre o fim da mudança da hora vinda de Bruxelas. De todos os partidos com assento no Parlamento, apenas comunistas e centristas já tomaram uma posição oficial.
"A pretensão da Comissão Europeia é inaceitável", escreveram os comunistas em comunicado enviado à redações. Para o PCP, cada Estado "deve ter o poder soberano de fixar a hora de acordo com os seus interesses específicos, a sua geografia, ritmos e organização de vida individual e colectiva", acrescenta o documento.
De braço dado com os comunistas nesta matéria, o CDS também defende que "não deve ser a União Europeia a decidir", revelou ao Correio da Manhã o líder parlamentar centrista Nuno Magalhães. "Tendo em conta que o estudo realizado pela Comissão é pouco representativo de Portugal e mesmo em termos europeus, a última palavra deve caber a cada país", clarifica o deputado.
No inquérito encomendado por Bruxelas, 68% dos 4,6 milhões inquiridos são alemães. Portugal apenas contribuiu com 0,33% das respostas.
Por esse motivo, o PSD vai apresentar um requerimento na próxima reunião da Comissão Parlamentar dos Assuntos Europeus, na quarta-feira, para que se realize um inquérito interno.
"Vamos convidar o Instituto Português do Mar e da Atmosfera, a Prevenção Rodoviária Portuguesa, a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, confederações empresariais, comerciais, agrícolas e de associações de pais, assim como a Ordem dos Psicólogos para a enviarem por escrito a sua posição", disse ao CM a deputada social-democrata Rubina Berardo. "Ainda não temos uma posição definida mas queremos avaliar primeiro", acrescentou.
A iniciativa do PSD deverá ser viabilizada por todos os partidos. O deputado socialista Carlos Pereira sublinha mesmo que "o requerimento é natural e será útil para tomarmos uma posição". Bloco e os Verdes não se quiseram pronunciar.
Governo estuda "a melhor solução" para Portugal
O Governo socialista "ainda não tem uma posição sobre o fim da mudança da hora e está a estudar se a melhor solução para a sociedade portuguesa é ficar com a hora de verão ou de inverno", disse ao CM o gabinete de comunicação do primeiro-ministro, António Costa. Para já, o Executivo "está a analisar a proposta de Bruxelas que será votada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu até março". Só nessa altura, "será possível clarificar melhor a posição do Governo".
Hora de verão deve acabar em setembro
Maioria quer acabar com mudança de hora
Cerca 80% dos 4,6 milhões de europeus que responderam ao inquérito da Comissão não querem mudar de hora duas vezes por ano.
Desde 2001 a acertar os relógios na Europa
Desde 2001 que os Estados-Membros são obrigados a mudar a hora duas vezes por ano: uma no final de março e outra em outubro.
Depoimentos
Vitorino Brazão
Reformado, Faro
"Concordo com mudança"
"Eu estou de acordo com a mudança da hora. Já houve anos em que a hora não mudou, mas eu não concordo. Para os jovens irem para a escola têm de ir ao romper da manhã. Se a hora mudar, já vão um pouco mais tarde."
Teresa Coelho
Auxiliar de educação, Portimão
"Adequam-se às rotinas"
"Concordo que se mude a hora, no sentido de os meninos irem de manhã para a escola. Para mim, com o horário de inverno, os dias ficam mais longos e, por isso, adequam-se mais às rotinas que temos no nosso dia a dia."
Gregos criticam "dados pouco fiáveis"
Na Grécia, a proposta da Comissão Europeia sobre o fim da mudança sazonal de hora "ainda não faz parte do debate público", explicou ao CM Margarita Adamou, conselheira de imprensa da embaixada da Grécia em Lisboa. Mas o país critica a consulta pública que trouxe o tema à ordem do dia.
"A participação dos gregos neste inquérito foi quase insignificante - 0,34% da população nacional, do qual a maioria (56%) indicou que quer manter a mudança da hora e só 44% não quer que a hora mude", refere a representante da embaixada. "Trata-se portanto de dados pouco fiáveis que não ajudam a discernir uma tendência clara na sociedade grega a favor duma opção ou outra", destaca.
Ainda assim, já "começaram a expressar-se publicamente diferentes pontos de vista, analisando os prós e os contras - uns invocando a posição geográfica do país, outros o fuso horário a que pertencemos -, mas que não permitem detetar uma preferência maioritária dos gregos", conclui.
Grécia "ainda não formulou posição oficial"
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