Pedro Nuno Santos diz que o Chega "tem resposta para toda a gente" com um programa impossível de cumprir
Secretário-geral do PS critica proposta do Chega de aumento de pensões.
Pedro Nuno Santos criticou o programa eleitoral do Chega do ponto de vista financeiro, durante o debate com André Ventura, transmitido esta quarta-feira pela TVI. "O Chega tem resposta para toda a gente. Não é para levar a sério. (...) O programa é impossível e irresponsável", considerou o secretário-geral do PS. A título de exemplo, apontou a proposta do Chega de aumento de pensões: "Não são nove mil milhões de euros de uma vez. Não nove mil milhões todos os anos".
Em matéria de corrupção, o socialista acusou o partido presidido por André Ventura de querer "fazer de conta de que combate" o problema, através do reforço do confisco e arresto de bens a pessoas envolvidas em casos judiciais. "Não traz nenhuma novidade. O arresto preventivo e o confisco de bens já existe", atirou Pedro Nuno Santos. Em contraponto, André Ventura argumentou que "o PS e o PSD nunca tiveram coragem de fazer esta reforma" e que os socialistas votaram "sempre contra o aumento das penas para a corrupção". Para o Chega, a forma como atualmente se processa o arresto preventivo e o confisco de bens "não é eficiente".
Sobre a proposta do PS de estabalecer um tempo mínimo dos médicos no SNS, Pedro Nuno Santos esclareceu que a medida "só avançará com o acordo" dos profissionais. André Ventura acusou o secretário-geral do PS de querer "amarrar os médicos no SNS", aludindo às considerações proferidas por Adalberto Campos Fernandes na segunda-feira sobre a proposta. "Um ex-ministro da Saúde socialista chamou-lhe uma medida estalinista", notou.
Os candidatos a primeiro-ministro prosseguiram na troca de acusações no capítulo da saúde. Em linha com o que defendeu na apresentação do programa eleitoral do PS, Pedro Nuno Santos afirmou que o Chega, a IL e a AD partilham o objetivo de "desviar recursos para o setor privado". André Ventura propõe pagar horas extraordinárias ao médicos, aumentar a oferta de cursos de medicina e reativar as parcerias público-privadas. "O Estado poupou dinheiro com as parcerias e a saúde melhorou", apontou.
O investimento na saúde divide os dois partidos. O Chega criticou o "desperdício de dinheiro" no SNS. "O Governo colocou 15 mil milhões de euros e não resolveu nada", argumentou André Ventura. Pedro Nuno Santos replicou: "O Chega acha que já se gasta demais. Nós queremos continuar a investir".
Sobre a habitação, o socialista disse que o PS lançou "o maior programa de investimento público", mas que "demora". "Os benefícios fiscais não funcionaram. (...) O fim dos vistos Gold e as restrições ao Alojamento Local aumentaram o parque habitacional", acrescentou. Referindo-se aos proprietários de Alojamento Local, André Ventura afirmou que os governos socialistas "fizeram o maior ataque de sempre àqueles que reabilitaram as casas".
Em cima da mesa esteve também uma proposta do Chega de reduzir para um terço as possibilidades de recursos judiciais. "Temos um emaranhado de recursos na lei. José Sócrates já recorreu 30 vezes. (...) Há um abuso de direitos", notou André Ventura.
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