Pedro Siza Vieira assessorou venda da seguradora do GES
Em 2014, na qualidade de advogado, o atual ministro esteve na venda da Tranquilidade.
Pedro Siza Vieira, atual ministro da Economia, participou em reuniões do conselho de administração do Novo Banco (NB), então na qualidade de advogado da sociedade Linklaters, sobre a venda da seguradora Tranquilidade, do Grupo Espítiro Santo (GES), ao fundo norte-americano Apollo, disse esta quinta-feira João Moreira Rato,ex-administrador financeiro da instituição criada após a resolução do BES.
“A nossa principal contraparte da Linklaters era [o advogado] António Soares”, já quanto à Tranquilidade “foi Pedro Siza Vieira que esteve envolvido”, afirmou Moreira Rato, no âmbito de numa audição na comissão parlamentar de inquérito ao Novo Banco, quando questionado pelo deputado comunista Duarte Alves, sobre quem assessorou juridicamente a operação em causa.
A Tranquilidade foi comprada em 2014 por 40 milhões de euros pela Apollo, que posteriormente a vendeu por 600 milhões de euros ao grupo Generali, em 2019.
“A Tranquilidade estava descapitalizada, tinha investido 150 milhões em títulos vencidos dos GES” e “precisava de uma recapitalização rápida”. Já o “GES não tinha capacidade e [a segurador] tinha de ser vendida a um terceiro”, explicou Moreira Rato no Parlamento.
Os deputados Miguel Matos (PS) e Hugo Carneiro (PSD) disseram esta quinta-feira na comissão de inquérito ao Novo Banco que a empresa que avaliou a Tranquilidade, a Duff & Phelps, tinha trabalhado com a Apollo, que acabou por comprar a seguradora.
Capital inicial insuficiente
O antigo administrador financeiro do Novo Banco João Moreira Rato revelou esta quinta-feira, após questionado pela deputada do CDS Cecília Meireles, que, logo após a resolução do BES, foi dito ao Banco de Portugal que o capital inicial (4,9 mil milhões de euros) “poderia não ser suficiente”.
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